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  • sexta-feira, 15 de novembro de 2013

    ANOMALIAS MORAIS E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA SÃO CANCERÍGENAS? Jorge Hessen

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Pesquisadores mais pessimistas preveem o plausível aniquilamento da vida vegetal, animal e humana como decorrência dos descomunais estragos causados pelas indústrias, comércios e escambos modernos. Será possível tal aniquilamento em face das atuais agressões à natureza? Sem dúvida, pois estamos dilacerando, não a natureza, mas a nós mesmos e arcaremos as consequências pelos nossos crimes contra o meio ambiente. Chico comentou certa vez que “aqueles que acreditarem na preservação da natureza acima de seus próprios interesses auxiliarão na defesa do mundo natural, da vida simples na Terra, que poderia ser uma vida de muito mais saúde e de muito mais tranquilidade se respeitássemos coletivamente todos os dons da natureza. Mas, se continuarmos agredindo-a demasiadamente, pagaremos o preço, porque depois voltaremos em novas gerações, plantando árvores, acalentando sementes, modificando o curso dos rios, despoluindo as águas, drenando os pântanos e criando filtros que nos libertem da poluição. O problema será sempre do homem. Teremos que refazer tudo, porque estamos agindo contra nós mesmos.” (1)
    Uma sociedade que destrói o meio ambiente é uma sociedade insana. Não é possível esperar a chegada de uma  “Nova Era” algemados na inércia da indiferença à natureza. Sem os devidos valores morais, muitos retornaremos a esse mundo pelas vias da reencarnação difícil. Se ainda almejarmos encontrar aqui estoques razoáveis de água potável, atmosfera límpida, campos produtivos, lixos reciclados  e um clima estável – sem os açoites oriundos da combustão crescente de petróleo, gás e carvão que ultrajam o efeito estufa – é urgente atuar já, sem demora.
    Como se não bastasse, a  Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou recentemente a classificação da poluição do ar exterior como cancerígena. Não precisamos ser especialistas para sabermos que poluição causa câncer. Dizem o que já sabíamos de sobejo, ou seja, a exposição à poluição do ar provoca câncer de pulmão. Mas sabemos que não somente o ar está contaminado, mas a água “potável” da mesma forma está infectada, os alimentos estão intoxicados. 
    É gravíssima a atual poluição atmosférica, em face das substancias insalubres lançadas pelas chaminés das fábricas, quais bocas de dragões, expelindo substâncias danosas em forma de detritos, pelos motores de veículos automotivos a se multiplicarem delirantemente e imobilizando as cidades , pelos agrotóxicos empregados nos campos, pela queima de combustíveis fósseis, pelas usinas atômicas. Em verdade, por onde o homem passa fica os sinais maléficos da sua marcha, em forma de poluição,  esterilidade, desmoronamento e extinção.
    Sobre a poluição atmosférica seria interessante pressionar os governantes pela adoção de leis severas para  preservação ambiental, a fim de que os transgressores sejam penitenciados exemplarmente. É preciso conscientizar os consumidores a lutar pela sustentabilidade ambiental, isto é, mudar seus hábitos e necessidades de compra pensando na sobrevivência ambiental das futuras gerações.  É importante modificar o sistema de consumo tornando-nos compradores mais cônscios que elegem de forma consciente o que consumir, coagindo o comércio a vender produtos ecologicamente adequados. Dia virá em que todos os produtos serão ecologicamente corretos e a economia despoluída, porque será exercida sob os princípios do respeito ao habitat ambiental. 
    A Natureza é sempre o livro divino, “onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem, evolvendo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos.” (2) As manifestações de vida nos vários reinos da Natureza, abrangendo o homem, significam a expressão do Verbo Divino, em escala gradativa nos processos de aperfeiçoamento da Terra “em todos os reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita, e, no quadro sem-fim do trabalho da experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal.”(3) O meio ambiente influi no espírito e  “muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influenciação.” (4)
    Há muitos tipos de poluentes que intoxicam a psicosfera terrena que efetivamente causa todos os tipos de cânceres. Um delas é a poluição mental onde o homem produz terrível poluição psíquica, deletéria quão incontrolável em face do cultivo de deploráveis modos em que insiste e se regozija, obviamente isso interfere na ecologia psicosférica da terra, empeçonhando de dentro para fora e desconjuntando de fora para dentro.
    Hoje, à luz da ciência médica, pode-se afirmar que o fator predominante da origem do câncer é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo,  abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo, poluição de todas as espécies os quais são responsáveis por quatro, em cada cinco casos de câncer e por 70% do total de mortes. Os cânceres por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais,  são menos de 5% do total. A experiência corrobora que o câncer é uma enfermidade do indivíduo, potencialmente, “cármica”. Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos premia com a saúde ou corrige com a doença, de acordo com nossas ações. “O corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, reflete o corpo mental, detentor da forma”. (5)
    Obviamente, não precisamos insistir na busca de vidas passadas para justificar o câncer: É óbvio que grande incidência de câncer no pulmão, ocorrem em pessoas que fumam na atual encarnação. Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano atual, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças. “O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.” (6) O ódio, o rancor, a mágoa, a ira são tóxicos fulminantes no oxigênio da saúde mental e física, consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças. São “agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida” (7)



    Referências bibliográficas:

    (1) Xavier, Francico Cândido. Mandato de Amor, Belo Horizonte: Editado pela União Espírita Mineira
    (2) Xavier, Francico Cândido. O Consolador, ditado pelo Espirito Emmanuel, perg. 27, RJ: Ed FEB, 1990.
    (3) Idem , perg. 28.
    (4) Idem , perg. 121
    (5) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos , ditado pelo espírito André Luiz 15ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997
    (6) Franco, Divaldo. Receita de Paz, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 1999
    (7) Franco, Divaldo Pereira. O Ser Consciente, Bahia, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993

    quinta-feira, 7 de novembro de 2013

    SILVÍCOLA VERSUS CIVILIZADOS – O INALTERÁVEL “APARTHEID” SOCIAL. Jorge Hessen

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Muitos compatrícios “civilizados” têm menosprezado os valores dos indígenas brasileiros. Alguns os acusam de malandros, ardilosos e preguiçosos. A rigor, o assunto sobre eles [“incivilizados”] não é debatido com frequência e quando é abordado é feito de modo burlesco. Alguns creem que os indígenas representam personagens adstritos ao passado do Brasil e que deixaram de ter importância histórica após a urbanização das cidades. Essa concepção superficial redunda na construção de uma imagem dos primeiros habitantes do país totalmente distorcida, apesar de cerca de 40% dos brasileiros terem algum parentesco com um silvícola ancestral.
    Atualmente, todos os tipos de anomalias patológicas existentes nas áreas urbanas são disseminados nas pequenas áreas remanescentes (habitats) dos indígenas, inclusive alcoolismo e suicídios. Os fatores preponderantes são atribuídos à maior proximidade com as atmosferas citadinas e a intensificação do contato com a sociedade “civilizada”. Isso estabeleceu um processo de marginalização e paradoxal aproximação com o modus vivendis da modernidade. A rigor, o “silvícola” tem sofrido com a violência, o preconceito e a falta de efetivação de direitos fundamentais de sobrevivência. Os estudiosos consideram que as garantias dos “incivilizados”, estabelecidas pela Constituição brasileira de 1988, estão em risco devido ao avanço dos interesses econômicos, sobretudo no campo.
    Não tem sido fraterno o relacionamento social entre “civilizados” e “silvícolas”. Não esqueçamos que a lei de evolução governa os ditames da Criação. Todos estamos em processo de evolução. Em nossa origem primordial somos dominados pelos instintos. A inteligência só gradativamente vai se desenvolvendo em cada um de nós. Todos fomos criados em estado de integral simplicidade e absoluta ignorância. Contudo, gradualmente nos afastamos das condições primárias através de múltiplas experiências e iniciamos longo processo de aprendizado e desenvolvimento, tendo como destino a angelitude.
    O mesmo ocorre com os indígenas, que são espíritos no estágio de infância relativa e que também chegarão à angelitude. Tais seres são relativamente desenvolvidos, porque já nutrem paixões, e as paixões são indícios de desenvolvimento. São sinais de atividade e de consciência do eu, portanto, nos espíritos primitivos a inteligência e a consciência se acham presentes. A demanda que anotamos aqui é a forma de como os “civilizados” têm convivido com os “incivilizados” de todos os tempos. Sabemos a priori que para serem legítimas as aquisições das civilizações contemporâneas, é necessário estarem alicerçadas nos valores éticos, sem os quais as conquistas se convertem em emanações peçonhentas que culminam por aniquilar quem as promove.
    Quando um espírito sai do estado silvícola ou de barbárie e, por força do progresso, adquire novos conhecimentos, tem início o acesso à civilização, mas essa civilização é ainda imperfeita em face da incompletude do seu progresso. Uma civilização só é completa pelo seu desenvolvimento moral. Obviamente, “não podemos responsabilizar a civilização pelos desvarios do mundo, mas sim o homem que a desfigura.”. (1) Portanto, a civilização é um estágio da evolução da humanidade, porquanto reflete o grau de moralidade e organização que nos é útil. Estágio este ainda incompleto, pois que embora imperfeito, a civilização demonstra o quanto fomos capazes de evoluir em organização e o quanto ainda necessitamos melhorar.
    Dizem os Espíritos que “nenhuma sociedade tem verdadeiramente o direito de dizer-se civilizada senão quando dela houver banido os vícios que a desonram e quando ali as pessoas viverem como irmãos, praticando a caridade cristã. Até que isso seja alcançado, ela será apenas um conjunto de pessoas esclarecidas, que terão percorrido a primeira fase da civilização.”. (2) Portanto, não tão distantes dos indígenas, aborígenes e outros nativos.
    Pedimos licença a fim de recordar as históricas agonias sofridas pelos nativos de todos os rincões. Veio-nos à mente o caso dos aborígenes australianos no início da colonização europeia em 1770. Os colonos ingleses trataram os nativos da Austrália com racismo e violência física. Perpetraram chacinas espantosas, estabeleceram leis discriminatórias. Nos idos de 1950, com o país já independente do tacão inglês, permanecia a discriminação racial contra qualquer indivíduo que não fosse de genealogia britânica.
    No decorrer do século XX, o governo australiano retirou 100 mil crianças aborígenes dos pais (a maioria de pele clara, ou seja, mestiços) e as internou em centros educativos para incutir nelas a cultura ocidental. Esse tipo de ação foi denominada "Política de Assimilação". Os estudiosos batizaram o processo de "geração roubada" essas crianças “sequestradas” dos pais. Consta nos noticiários internacionais que, em 2008, John Howard, primeiro-ministro da Austrália, lamentou publicamente esse fato, mas não quis pedir desculpas oficiais, pois isso iria acarretar em milhões de dólares de indenizações para as famílias ou seus descendentes.
    À medida que a civilização avança no tempo cria novas necessidades, estabelece novas fontes de angústias e violências. “As desordens sociais estão na razão das necessidades factícias criadas”. (3) O choque cultural entre “civilizados e silvícolas” é fruto de imaturidade moral dos citadinos. Porém, considerando a pluralidade das existências, consoante os Códigos divinos, os exploradores “civilizados” jazem subordinados ao imperativo da Lei de Causa e Efeito, e seguramente reencarnarão entre grupos de “indígenas ou aborígenes”, a fim de repararem os danos causados aos irmãos em evolução.
    Não desconsideramos, nessas arguições, a rejeição que sofrem os demais infelizes “civilizados” completamente excluídos do convívio social, porquanto a ambição e o egoísmo atingem níveis insuportáveis. Vivemos numa civilização repleta de muita inquietude e de grande volubilidade emocional. Somos os seres racionais que amargam os paradoxos de surpreendentes conquistas científicas, ao mesmo tempo em que ainda coexistimos com a dengue, febre amarela, tuberculose, aids e com todas as espécies de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, crack, oxi etc).

    Nesse contraditório panorama ainda sinistro da sociedade pós-moderna, o Evangelho do Cristo precisa ser a transubstanciação do mais poderoso recurso para o indulto das mentes humanas, escravas do persistente “apartheid” social.

    Referências bibliográficas:
    [1] Xavier, Francisco Cândido.  Nascer e Renascer, ditado pelo Espírito  Emmanuel, SP: Ed. GEEM, 1970
    [1] Kardec , Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 1077, Perg. 793
    [1] Idem perg. 926.

    sexta-feira, 1 de novembro de 2013

    DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTES É LEGÍTIMO E DEVE SER LEVADO ADIANTE (Chico Xavier)


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Um milionário do estado de São Paulo montou recentemente um cenário curioso e instigante. (1) Ele anunciou nas redes sociais que enterraria seu carro Bentley (de quase  1 milhão de reais) , no quintal da sua mansão. Para isso, convidou a imprensa e cavou a cova com uma escavadeira, deixando um espaço reservado para o “velório”. Todavia, durante a celebração revelou para os presentes o real propósito do “enterro” do carrão. Disse que as pessoas estão sepultando algo bem mais valioso que seu Bentley. Assinalou que enterrar um coração, um rim, um fígado e outros órgãos, isso sim é loucura. Órgãos humanos podem salvar a vida de várias pessoas. Proferiu que seu Bentley não é mais valioso que órgãos humanos.  Portanto, não era louco para enterrar o carro, apenas promoveu o “funeral” , a fim de chamar atenção para a causa “doação de órgãos”, afirmando-se doador. 
    Sobre o assunto doação de órgãos para transplante há poucas informações concernentes sobrevindas dos Espíritos, até porque é uma prática muito recente da ciência médica. Nos exercícios médicos de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida. Sabemos haver espíritas que são avessos à doação de seus próprios órgãos após a desencarnação. Entretanto, a doação de órgãos para transplantes é doutrinariamente correta. “Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças as conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.”(2) 
    É importante fazermos a seguinte reflexão: se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. “Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está na “fila” esperando um órgão para transplante, ele significa a única possibilidade de vida! “Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude – que é a vida em si mesma, estuante e real.” (3)
    Em de entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, Francisco Cândido Xavier comenta o seguinte: “transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante.” Os Espíritos, segundo Chico Xavier, “não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito”. “(4)
    Questão que também invariavelmente é levantada é a rejeição do organismo após a cirurgia. O Espírito André Luiz considera “a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o órgão do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão perispiritual provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir.”(5) Especialistas, a partir 1967, “desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando então os receptores de órgãos a terem uma maior sobrevida.”(6) Estatisticamente, o que há é que “a taxa de prolongamento de vida dos transplantes é extremamente elevada. Isso graças não só às técnicas médicas, sempre se aperfeiçoando, mas também pelos esquemas imunossupressores que se desenvolveram e se ampliaram consideravelmente, existindo atualmente esquemas que levam a zero por cento (0%) a rejeição celular aguda na fase inicial do transplante, que é quando ocorrem.”(7)
    André Luiz explica que “quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo laboratorialmente para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada em outro organismo [por transplante, por exemplo], tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e a seguir coordenará sua trajetória.”(8)
    Outra coisa importante é que não há reflexos traumatizantes ou cerceadores no perispírito, em correspondência à mutilação do corpo carnal, ou seja, o doador de córneas, por exemplo, não regressará “cego” ao Mundo Espiritual. Se fosse regra geral haver impacto do corpo físico doador no corpo espiritual, o que seria daqueles que têm o corpo carbonizado pelo fogo ou pulverizado numa explosão? O que dizer da cremação, que reduz o cadáver a cinzas? A doação de órgãos para transplantes não afetará o corpo espiritual do doador, a menos que acreditemos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Planeta à deriva da Sua Suprema Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (conquista da ciência) é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada à disposição do homem para o exercício do amor.

    Referências bibliográficas:

    (1) Disponível em  http://ego.globo.com/famosos/noticia/2013/09/enterro-do-carro-de-chiquinho-scarpa-e-acao-favor-de-campanha.html acesso em 30/10/2013
    (2) Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]-
    (3) Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/BA: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos
    (4) Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38,
    (5) Cf. Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38
    (6) Folha de S.Paulo, A3, “Opinião”, 15.Maio.2001
    (7) Entrevista com o Prof. Dr. Flávio Jota de Paula Médico da Unidade de Transplante Renal do HC/FMUSP. 1º Secretário da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Diretor da I Mini Maratona de Transplantados de Órgãos do Brasil. Publicado em Prática Hospitalar ano IV n º 24 nov-dez/2002
    (8) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos – Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972, cap. “Células e Corpo Espiritual”

    segunda-feira, 28 de outubro de 2013

    NOVAS GERAÇÕES – VELHAS GERAÇÕES QUE SE RENOVAM


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Especula-se muito nas hostes espíritas a respeito da nova geração que está encarnando. Mas a rigor, a cada período civilizatório é comum surgirem novas gerações no planeta. Não podemos permanecer estáticos diante de um otimismo ingênuo, mormente analisando a sociedade sob o ponto de vista da realidade atual, ante os graves problemas sociais, envolvendo delinquências, guerras, corrupções, violência urbana, terrorismo, a comprovar que a iniquidade ainda prevalece.
    Infelizmente há muitos jovens envolvidos com o mal, por ausência de noção das Leis de Deus. Obviamente tais criaturas serão renovadas no desenvolvimento de suas provas, particularmente com a dor instrutora, em reencarnações edificantes. Recentemente alguns jovens indianos entre 10 e 14 anos, que se autodenominaram como “daredevils” (destemidos), ao identificarem que residiam em local “invisível” ao registro do “Google Maps” (1) resolveram desenhar os contornos geográficos da favela em Calcutá. Durante o levantamento perceberam que era preciso ir mais além. Tinham de detectar o que devia e o que não devia estar no mapa. Malária, não devia. Diarreia, não devia. Dança, sim. Descobriram que se apropriar do mapa do seu mundo tornaria possível transformá-lo.
    Para aperfeiçoar o mapeamento, contaram com a ajuda do projeto Mapeie Seu Mundo, da Universidade de Columbia, dos EUA, que forneceu os equipamentos necessários e deu as diretrizes de como coletar dados das pessoas, numerar e registrar as casas. (2) Aparelhados de celulares e GPS, os jovens registravam quantas crianças haviam em cada casa, quantas já tinham sido vacinadas e informavam a hora e lugar da próxima campanha, conscientizavam sobre a importância da imunização. Ao fazer o levantamento, as crianças descobriram que nem todos os 9 mil moradores tiveram acesso à vacina contra poliomielite. (3) A solução que encontraram para o problema foi incrementar campanhas de vacinação e divulgação nas ruas, utilizando-se de surrados cones de papelão, indicando onde estavam localizados os postos de saúde mais próximos.
    Graças ao empenho dos “daredevils” de Calcutá o governo local começou a construir a primeira forma de abastecimento com água potável para a comunidade e o número de vacinação cresceu 80%. Destarte, passaram a influenciar o mundo para além da favela. Por causa da atitude deles, foi produzido o filme “The revolutionary optimists”, um documentário que inspirou o lançamento do Map your world (Mapeie seu mundo), plataforma múltipla que assenta o poder das novas tecnologias nas mãos de crianças e jovens para que elas se tornem agentes de mudanças sociais e compartilhem suas biografias com o mundo.
    Pode haver aqui indicativos de que estamos diante de uma nova geração de espíritos moralizados que reencarnaram, a fim de trabalharem pela justiça social e fraternidade entre as pessoas. Quem sabe podem ser Espíritos que compõem a nova geração, Espíritos melhores d’outros orbes, ou simplesmente Espíritos terrícolas antigos que se melhoraram, contudo o resultado é positivo. “Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação. Assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam categorias: de um lado, os retardatários, que partem [desencarnam]; de outro, os progressistas, que chegam [reencarnam]. O estado dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias [retardatários/progressistas] que preponderar." (4) É nessa matemática que se processam historicamente os arranjos de paz ou guerras em cada geração.
    Para o Codificador da Doutrina Espírita a renovação moral da humanidade não se processará por uma "invasão" de seres de outros orbes, de outras constelações (embora seja admissível tal processo), mas porque os "Espíritos antigos que se melhoraram" têm seu papel no novo estágio evolutivo. Ou, repetindo Kardec, "A regeneração da Humanidade não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo.” (5)
    Observemos que as gerações ancestrais que presentemente dominam o saber na terra, tempos recuados foram “gerações novas” e igualmente geraram assombro e especulações. Em todas as eras deparamos com arquétipos humanos intrigantes e que tiveram um papel muito respeitável na mudança social do orbe. “Arquétipos”, nesse caso, são padrões históricos, cujas experiências são reconhecidas e culturalmente registradas pelos historiadores. Tais seres dominavam ciências revolucionárias, novas técnicas, concepções artísticas perturbadoras e apresentavam um molde moral dessemelhante do corriqueiro, conquanto não fossem notados por seus iguais com seres “sobre-humanos”.
    Estamos passando por grande revolução na apropriação do conhecimento humano. Há aqueles que possuem uma inteligência e sensibilidade social acima da média, inobstante não se distinguem radicalmente das gerações antecedentes de grandes gênios da academia, da religião e das artes. O modelo moral deles igualmente não difere dos seus predecessores. As ciências sociológicas revelam que as amplas transformações tecnológicas e sociais advieram pelas ações correspondentes de socialização, isto é, os padrões nascem com seus atributos intelectuais mais avançados e, em certas conjunturas, passam a contagiar culturalmente de forma mais expressiva sobre a geração daquele contexto, alterando os protótipos até então predominantes.
    Não há como desconsiderarmos que não estamos vivendo um momento vulgar da Humanidade. Observamos uma grande mudança e as transformações ligeiras e impactantes estão aí para confirmar em todos os níveis da vida social. Isso confirma ainda mais as revelações espirituais sobre o destino da Terra, nada obstante não olvidemos que os acontecimentos terrenos não modificam ao gosto da nossa fantasia mística e sim no compasso adequado dos eventos da natureza consoante as DIRETRIZES DO CRISTO.

    Referências bibliográficas:
    (1)           Google Maps é um serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da Terra gratuito na web fornecido e desenvolvido pela empresa estadunidense Google. Atualmente, o serviço disponibiliza mapas e rotas para qualquer ponto nos Estados Unidos, Canadá, na União Europeia, Austrália e Brasil, entre outros. Disponibiliza também imagens de satélite do mundo todo, com possibilidade de um zoom nas grandes cidades, como Nova Iorque, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, entre outras.
    (2)           http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-da-redacao/criancas-mapeiam-favela-onde-moram-e-combatem-poliomielite/?utm_source=redesabril_psustentavel&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_psustentavel
    (3)           Em 2005, a Índia registrou 45 casos de paralisia infantil, número que a colocou como quarto país do mundo com mais pessoas afetadas
    (4)           Kardec, Allan. A Gênese. 24a. Ed. FEB, cap. XVIII

    sexta-feira, 27 de setembro de 2013

    COMO DEVEMOS AGIR PERANTE OS CRIMINOSOS?


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    É com imensa tristeza que lemos a notícia sobre alegada morte, no Iêmen, de Rawan (1), uma menina de 8 anos, em decorrência de lesões que sofreu na noite de núpcias com um homem de 40 anos. (2) O caso foi divulgado pelo jornalista Mohammad Radman e o Gulf News. Vários sites espalharam a história, incluindo o Opera Mundi – que se baseou em relatos da agência alemã DPA, do jornal alemão Der Tagesspiegel, do espanhol El País, do Huffington Post (em sua versão britânica) e da agência de notícias Reuters. Os chefes tribais locais estão acobertando a história. O governo do Iêmen nega o fato; entretanto, para Mohammad, as autoridades estão tentando sepultar a história”. (3)
    Se é uma questão cultural, isso não absolve o crime de pedofilia. A rigor, é um processo de legalização da pedofilia nalguns países. Casamentos envolvendo menores de idade são corriqueiros no Iêmen. Em 2010 uma menina de 13 anos também morreu com graves lesões nos órgãos internos após ter sido forçada a se casar com um adulto, coforme denuncia uma organização de direitos humanos que atua no Iêmen.
    Esse comportamento existe noutras comunidades muçulmanas ortodoxas, tais como ocorre em países como Somália, Nigéria e Afeganistão. Um relatório da Organização das Nações Unidas registra que mais de 50% de todas as jovens iemenitas estão casadas antes de completarem 18 anos e cerca de 14% estão para se casar sem terem ainda 15 anos. (4) A ativista Hooria Mashhour tem lutado para que a prática do casamento infantil seja de uma vez por todas banida do país. (5)
    O casamento entre adulto e criança abaixo da idade de consentimento é um crime na legislação de inúmeros países. Contudo, há outro aspecto na discussão: muitas culturas reconhecem pessoas como “adultas” (idade de consentimento) em variadas faixas etárias. Por exemplo, a tradição do Judaismo considera como “adultos” (membros da sociedade) as mulheres aos 12 e os homens aos 13 anos de idade, sendo a cerimônia de transição chamada Bat Mitzvah para as garotas e Bar Mitzvah para os rapazes.
    Ao longo da história antiga, no período medieval, na Idade moderna e nos séculos XIX e XX, eram comuns os casamentos de crianças e pré-adolescentes (sobretudo meninas menores de 12 anos de idade) com adultos. Atualmente, tal situação configura-se como ação delitiva que prejudica gravemente o desenvolvimento atual e futuro da criança. Tal aberração, à luz do código penal de diversos países, hoje é classificada como crime de pedofilia. (6)
    Em que pese essa criminalização, a situação não se modificou em diversos paises. “Mais de 200 milhões de crianças sofrem violência sexual no mundo e quase metade das vítimas das agressões sexuais são meninas menores de 16 anos. Em nível global, estima-se um número entre 500 milhões e 1,5 bilhão de meninos e meninas que sofrem algum tipo de violência sexual a cada ano, segundo relatórios de organizações internacionais realizados em pelo menos 70 países.” (7)
    Ao tratarmos sobre violência infantil que ocorre no Iêmen o assunto que se destaca é a pedofilia. Esse tema nos remete inteiramente aos desvios sexuais e/ou culturais, convidando-nos a embrenhar nos códigos da lei de causa e efeito. Entretanto, na perspectiva da criança não submergiremos nos “porquês”, nem nos rudimentos cáusicos reencarnatórios de espíritos que padecem tamanha crueldade. Não recorreremos à lógica (ação e reação) sobre esses processos expiatórios, enfocaremos tão somente o crime da pedofilia sob a lupa da indulgência. Seria isso possível?
    O termo pedofilia (8) significa depravação sexual na qual a fascinação sexual do adulto ou adolescente está conduzida para crianças pré-púberes (antes da puberdade) ou no início da adolescência. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, define que os países signatários devem tomar "todas as medidas legislativas, administrativas, sociais e educativas" adequadas à proteção da criança, sobretudo no que se refere à violência sexual.
    No que tange aos criminosos, inclusive agressores sexuais (pedófilos) que sucumbem diante de crianças para fúria das suas truculências, a Doutrina Espírita recomenda não condenar ninguém, advertindo sempre que tenhamos com todos a prática da caridade. Tais criminosos constituem espíritos que atravessam um momento difícil em que necessitam promover a sua edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.
    O tema é na essência potencialmente complexo, culturalmente polêmico e trágico; não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação na terra. O pedófilo, sendo um desnorteado da alma, e ao mesmo tempo um criminoso, logicamente não pode ficar impune. Contudo, precisa, antes, de tratamento psíquico e espiritual.
    Sim! Cabe aqui refletir, à luz da Doutrina Espírita, sobre os crimes e sobre a lei. O mandamento maior da lei divina inclui a caridade para com os criminosos, por mais difícil que possa parecer ter este sentimento diante da barbárie da pedofilia. Perante a Lei de Deus, somos todos irmãos, por mais repugnante que seja para alguns tal ideia. O criminoso é alguém que desconhece a Lei Divina, que não reconhece a paternidade divina e, portanto não vê no outro um irmão. Nós, que já temos esses valores, sabemos que ele é também um filho de Deus, por enquanto transviado do bem, que precisa do nosso amor fraterno.
    Mas de que maneira amar um criminoso, um inimigo da sociedade? Kardec nos ensina que amar os inimigos não é ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu pulsar ao contato de um amigo. Amar tais inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que causem; é desejar-lhes o bem e não o mal; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa inutilizar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de degradá-los. (9)

    Se assim procedermos, preencheremos as condições do preceito do Mestre Jesus: “Amai os vossos inimigos.”(10)

    Referência bibliográficas
    (1)            Rawan residia em  Meedi, uma cidade na província norte-ocidental de Hajjah , fronteira com a Arábia Saudita. A  menina foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel
    (2)            Segundo os médicos, a Rawan morreu com hemorragia  no útero e alguns órgãos internos decorrente da união carnal
    (3)            Disponível no site http://oglobo.globo.com/mundo/policia-do-iemen-nega-morte-de-menina-de-oito-anos-apos-lua-de-mel-com-marido-de-meia-idade-diz-site-9904846#ixzz2fpzsOAFH
    (4)            Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres
    (5)            Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres
    (6)            A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes
    (7)            Disponível  no site http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/27705/mais+de+200+milhoes+de+criancas+sofrem+violencia+sexual+no+mundo+diz+ong.shtml
    (8)            Também conhecida como paedophilia erótica ou pedosexualidade
    (9)            Mateus 5:44
    (10)          Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XII, Item 3, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000

    COMO DEVEMOS AGIR PERANTE OS CRIMINOSOS?



    Jorge Hessen

    É com imensa tristeza que lemos a notícia sobre alegada morte, no Iêmen, de Rawan(1), uma menina de 8 anos, em decorrência de lesões que sofreu na noite de núpcias com um homem de 40 anos.(2) O jornalista Mohammad Radman e o Gulf News divulgaram o caso. Vários sites espalharam a história, incluindo “Opera Mundi” - que se baseou em relatos da agência alemã “DPA”, do jornal alemão “Der Tagesspiegel”, do espanhol “El País” , do “Huffington Post” (em sua versão britânica) e a agência de notícias “Reuters”. Os chefes tribais locais estão acobertando a história. O governo do Iêmen nega o fato, entretanto, para Mohammad, as autoridades estão tentando sepultar a história”.(3)
    Se é uma questão cultural, isso não absolve o crime de pedofilia. A rigor é um processo de legalização da pedofilia nalguns países. Casamentos envolvendo menores de idade são corriqueiros no Iêmen. Em 2010, uma menina de 13 anos também morreu com graves lesões nos órgãos internos após ter sido forçada a se casar com um adulto, coforme denuncia uma organização de direitos humanos que atua no Iêmen.
    Esse comportamento existe noutras comunidades muçulmanas ortodoxas, tais como ocorre em países como a Somália, a Nigéria e o Afeganistão. Um relatório da “Organização das Nações Unidas” registra que mais de 50% de todas as jovens iemenitas estão casadas antes de completarem 18 anos e cerca de 14% estão para casar sem terem ainda 15 anos”.(4) A ativista Hooria Mashhour tem lutado para que a prática do casamento infantil seja de uma vez por todas banida do país.(5)
    O casamento entre adulto e criança abaixo da idade de consentimento é um crime na legislação de inúmeros países. Contudo, há outro aspecto na discussão. Muitas culturas reconhecem pessoas como “adultas” (idade de consentimento) em variadas faixas etárias. Por exemplo, a tradição do Judaismo considera como “adultos” (membros da sociedade) as mulheres aos 12 e os homens aos 13 anos de idade, sendo a cerimônia de transição chamada Bat Mitzvah, para as garotas, e Bar Mitzvah, para os rapazes.
    Ao longo da história antiga, no período medieval, na Idade Moderna e nos séculos XIX e XX, eram comuns os casamentos de crianças e pré-adolescentes (sobretudo meninas menores de 12 anos de idade) com adultos. Atualmente tal situação configura-se como ação delitiva que prejudica gravemente o desenvolvimento atual e futuro das crianças. Tal aberração, à luz do código penal de diversos países, hoje é classificada como crime de pedofilia.”(6)
    Em que pese essa criminalização, a situação não se modificou em diversos países. “Mais de 200 milhões de crianças sofrem violência sexual no mundo e quase metade das vítimas das agressões sexuais são meninas menores de 16 anos. Em nível global estima-se um número entre 500 milhões e 1,5 bilhão de meninos e meninas que sofrem algum tipo de violência sexual a cada ano, segundo relatórios de organizações internacionais, realizados em pelo menos 70 países.”(7)
    Ao tratarmos sobre violência infantil ocorrida no Iêmen, o assunto que se destaca é a pedofilia. Esse tema nos remete inteiramente aos desvios sexuais e/ou culturais, convidando-nos a embrenhar-nos nos códigos da lei de causa e efeito. Entretanto, na perspectiva da criança, não submergiremos nos “porquês”, nem nos rudimentos cáusicos reencarnatórios de espíritos que padecem tamanha crueldade. Não recorreremos à lógica (ação e reação) sobre esses processos expiatórios. Enfocaremos tão somente o crime da pedofilia sob a lupa da indulgência. Seria isso possível?
    O termo pedofilia(8) significa depravação sexual, na qual a fascinação sexual do adulto ou adolescente está conduzida para crianças pré-púberes (antes da puberdade) ou no início da adolescência. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, define que os países signatários devem tomar "todas as medidas legislativas, administrativas, sociais e educativas" adequadas à proteção da criança, sobretudo no que se refere à violência sexual.
    No que tange aos criminosos, inclusive aos agressores sexuais (pedófilos) que sucumbem diante das crianças para fúria das suas truculências, a Doutrina Espírita recomenda não condenar ninguém, advertindo sempre que tenhamos com todos a prática da caridade. Tais criminosos constituem espíritos que atravessam um momento difícil em que necessitam promover a sua edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.
    O tema é, na essência, potencialmente complexo, culturalmente polêmico e trágico. Não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação na Terra. O pedófilo, sendo um desnorteado da alma, e ao mesmo tempo um criminoso, logicamente não pode ficar impune. Contudo, precisa, antes, de tratamento psíquico e espiritual.
    Sim! Cabe aqui refletir, à luz da Doutrina Espírita, sobre os crimes e sobre a lei. O mandamento maior da lei divina inclui a caridade para com os criminosos, por mais difícil que possa parecer ter este sentimento diante da barbárie da pedofilia. Perante a Lei de Deus somos todos irmãos, por mais que repugne a alguns tal ideia. O criminoso é alguém que desconhece a Lei Divina, que não reconhece a paternidade divina e, portanto, não vê no outro um irmão. Nós, que já temos esses valores, sabemos que ele (o criminoso) é, também, um filho de Deus, por enquanto transviado do bem, que precisa do nosso amor fraterno.
    Mas de que maneira amar um criminoso, um inimigo da sociedade? Kardec nos ensina que amar os inimigos não é ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu pulsar, ao contato de um amigo. Amar tais inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que causem; é desejar-lhes o bem e não o mal; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa inutilizar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de degradá-los.(9)
    Se assim procedermos, preencheremos as condições do preceito do Mestre Jesus: “Amai os vossos inimigos.”(10)

    Referências bibliográficas:
    (1) Rawan residia em Meedi, uma cidade na província norte-ocidental de Hajjah, fronteira com a Arábia Saudita. A menina foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel;
    (2) Segundo os médicos, Rawan morreu com hemorragia no útero e alguns órgãos internos decorrente da união carnal;
    (4) Disponível no site <http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres>; acesso 24/09/2013
    (5) Disponível no site <http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres>; acesso 24/09/2013
    (6) A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes;
    (7) Disponível no site <http://operamundi.uol.com.rbr/conteudo/noticias/27705/mais+de+200+ milhoes+de+criancas+sofrem+violencia+sexual+no+mundo+diz+ong.shtml>; acesso 24/09/2013
    (8) Também conhecida como paedophilia erótica ou pedosexualidade;
    (9) Mateus, 5:44;

    (10) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XII, Item 3, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000.

    quinta-feira, 26 de setembro de 2013

    COMO DEVEMOS AGIR PERANTE OS CRIMINOSOS?

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br
    É com imensa tristeza que lemos a notícia sobre alegada morte, no Iêmen, de Rawan(1), uma menina de 8 anos, em decorrência de lesões que sofreu na noite de núpcias com um homem de 40 anos. (2) O jornalista Mohammad Radman e o Gulf News divulgaram o caso. Vários sites espalharam a história, incluindo “Opera Mundi” - que se baseou em relatos da agência alemã “DPA”, do jornal alemão “Der Tagesspiegel”, do espanhol “El País” , do “Huffington Post” (em sua versão britânica) e a agência de notícias “Reuters”. Os chefes tribais locais estão acobertando a história. O governo do Iêmen nega o fato, entretanto, para Mohammad, as autoridades estão tentando sepultar a história”.(3) 
    Se é uma questão cultural, isso não absolve o crime de pedofilia. A rigor é um processo de legalização da pedofilia nalguns países. Casamentos envolvendo menores de idade são corriqueiros no Iêmen, em 2010, uma menina de 13 anos também morreu com graves lesões nos órgãos  internos após ter sido forçada a se casar com um adulto, coforme denuncia uma organização de direitos humanos que atua no Iêmen. 
    Esse comportamento existe noutras comunidades muçulmanas ortodoxas, tais como ocorre em países como a Somália, a Nigéria e o Afeganistão. Um relatório da “Organização das Nações Unidas” registra   que mais de 50% de todas as jovens iemenitas estão casadas antes de completarem 18 anos  e cerca de 14% estão para  casar sem terem ainda 15 anos”.(4) A ativista Hooria Mashhour tem lutado para que a prática do casamento infantil seja de uma vez por todas banida do país. (5)
    O casamento entre adulto  e criança abaixo da idade de consentimento  é um crime na legislação de inúmeros países. Contudo, há outro aspecto na discussão, muitas culturas reconhecem pessoas como “adultas” (idade de consentimento) em variadas faixas etárias. Por exemplo, a tradição do Judaismo considera como “adultos” (membros da sociedade) as mulheres aos 12 e os homens aos 13 anos de idade, sendo a cerimônia de transição chamada Bat Mitzvah para as garotas e Bar Mitzvah para os rapazes. 
    Ao longo da história antiga, no período medieval, na Idade moderna e nos séculos XIX e XX eram comuns os casamentos de crianças e pré-adolescentes (sobretudo meninas menores de 12 anos de idade) com adultos. Atualmente tal situação configura-se como ação delitiva que prejudica gravemente o desenvolvimento atual e futuro das crianças. Tal aberração à luz do código penal de diversos países, hoje é classificada como crime de pedofilia.”(6)
    Em que pese essa criminalização, a situação não se modificou em diversos países. “Mais de 200 milhões de crianças sofrem violência sexual no mundo e quase metade das vítimas das agressões sexuais são meninas menores de 16 anos. Em nível global estima-se um número entre 500 milhões e 1,5 bilhão de meninos e meninas que sofrem algum tipo de violência sexual a cada ano, segundo relatórios de organizações internacionais , realizados em pelo menos 70 países.”(7)
    Ao tratarmos sobre violência infantil ocorrida no Iêmen o assunto que se destaca é a pedofilia. Esse tema nos remete inteiramente aos desvios sexuais e/ou culturais convidando-nos a embrenhar-nos nos códigos da lei de causa e efeito. Entretanto, na perspectiva da criança não submergiremos nos “porquês”, nem nos rudimentos cáusicos reencarnatórios de espíritos  que padecem tamanha crueldade. Não recorreremos à lógica (ação e reação) sobre esses processos expiatórios, enfocaremos tão somente o crime da pedofilia sob a lupa da indulgência. Seria isso possível? 
    O termo pedofilia (8) significa depravação sexual na qual a fascinação sexual do adulto ou adolescente está conduzida para crianças pré-púberes (antes puberdade) ou no início da adolescência.  A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, define que os países signatários devem tomar "todas as medidas legislativas, administrativas, sociais e educativas" adequadas à proteção da criança, sobretudo no que se refere à violência sexual.
    No que tange aos criminosos inclusive aos agressores sexuais (pedófilos) que sucumbem diante das crianças para fúria das suas truculências, a Doutrina Espírita recomenda não condenar ninguém, advertindo sempre que tenhamos com todos  a prática da caridade. Tais criminosos constituem espíritos que atravessam um momento difícil em que necessitam promover a sua edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada. 
    O tema é na essência potencialmente complexo, culturalmente polêmico e trágico, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação na terra. O pedófilo, sendo um desnorteado da alma, e ao mesmo tempo um criminoso, logicamente não pode ficar impune. Contudo, precisa, antes, de tratamento psíquico e espiritual..
    Sim! Cabe aqui refletir, à luz da Doutrina Espírita, sobre os crimes e sobre a lei. O mandamento maior da lei divina inclui a caridade para com os criminosos, por mais difícil que possa parecer ter este sentimento diante da barbárie da pedofilia. Perante a Lei de Deus somos todos irmãos, por mais que repugne a alguns tal ideia. O criminoso é alguém que desconhece a Lei Divina, que não reconhece a paternidade divina e, portanto não vê no outro um irmão. Nós, que já temos esses valores, sabemos que ele (o criminoso) é, também, um filho de Deus, por enquanto transviado do bem, que precisa do nosso amor fraterno.
    Mas de que maneira amar um criminoso, um inimigo da sociedade? Kardec ensina-nos que amar os inimigos  não é ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu pulsar, ao contato de um amigo. Amar tais inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que causem; é desejar-lhes o bem e não o mal; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa inutilizar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de degradá-los.(9)
    Se assim procedermos, preencheremos as condições do preceito do Mestre Jesus: “Amai os vossos inimigos.”(10) 

    Referência bibliográficas
    (1) Rawan residia em  Meedi, uma cidade na província norte-ocidental de Hajjah , fronteira com a Arábia Saudita. A  menina foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel
    (2) Segundo os médicos, a Rawan morreu com hemorragia  no útero e alguns órgãos internos decorrente da união carnal 
    (3) Disponível no site http://oglobo.globo.com/mundo/policia-do-iemen-nega-morte-de-menina-de-oito-anos-apos-lua-de-mel-com-marido-de-meia-idade-diz-site-9904846#ixzz2fpzsOAFH
    (4) Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres
    (5) Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres
    (6) A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes
    (7) Disponível  no site http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/27705/mais+de+200+milhoes+de+criancas+sofrem+violencia+sexual+no+mundo+diz+ong.shtml
    (8) Também conhecida como paedophilia erótica ou pedosexualidade
    (9) Mateus 5:44
    (10) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XII, Item 3, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000