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  • sexta-feira, 7 de abril de 2017

    Mexeu com "um" mexeu com todos? Uma reflexão pró-Kardec


    Certa feita expedi para alguns consagrados escritores espíritas  uma atraente “NOTA” assinada  por  Evandro Noleto  e publicada na revista Reformador, fazendo alusão   à Superioridade da natureza de Jesus  conforme contido no  Cap. 15 do livro A Gênese.
    Passados alguns dias o tema provocou alguns retornos interessantes dos consagrados escritores. Mas , mexeu com a cachimônia de um roustanguista frequentador da FEB.

    Vejamos como foram os diálogos: 


    Jorge Hessen escreveu: 

    Novos tempos na FEB? Amigos, li o texto conforme link abaixo e adorei, todavia tenho certeza que os roustanguistas febianos  não  devem ter deglutido. Vide o texto do Evandro Noleto, editor de   Reformador, que teve lucidez e coragem para consignar a NOTA abaixo do artigo  “Superioridade da natureza de Jesus”.  Recomendamos a leitura da tal nota assinada pelo editor.. link da FEB  http://www.souleitorespirita.com.br/reformador/noticias/superioridade-da-natureza-de-jesus/


    Repercussão:


    J.S. escreveu:  

    Amigo Jorge Hessen; Desculpe-me a demora na análise deste e-mail, mas é que estive muito atarefado, e você melhor do que eu compreende o que desejo dizer, pois suas atividades são ainda maiores que as minhas. Mas vamos à questão em pauta, pois esta é realmente muito interessante. Trata-se de um confrade esclarecido o Sr. Evandro Noleto, editor de o Reformador, que ilhado por Roustanguistas, não se permitiu contaminar, e escreveu um texto muito bom, lógico e racional, sobre a superioridade da natureza de Jesus.
    E como sabemos, os adeptos de Roustaing, na FEB são a maioria, e não devem ter ficado nem um pouco satisfeitos; acredito até que o Evandro seja punido, senão exonerado mesmo. Corajosamente o editor de o reformador, desmistifica o que nos é apresentado em os Quatro Evangelhos de Roustaing, pois nestes somos informados de que Jesus não viveu na terra revestido de um corpo de matéria, era um agêneres, constituído de um corpo fluídico.
    Esta mistificação de Roustaing transforma Jesus no espírito mais mistificador que teríamos conhecido, pois fingiu sofrer com as chicotas, depois fingiu viver uma dor angustiante ao ser pregado na cruz, e mais, mistificou ao derramar sangue no momento da crucificação; pelo que podemos entender um corpo fluídico, não tem em sua constituição o plasma sanguíneo.
    Não vou descrever outros misticismos que estão inseridos nos quatro evangelhos de Roustang, pois já é do conhecimento da maioria, e tornar-se-ia redundante, mas eu fico a me perguntar; será que o Ilmo. Presidente Jorge Godinho, acredita mesmo nesse misticismo  grasso que é o Roustanguismo, ou ele se submete tão somente para manter-se no cargo?
    Eu desejaria muito que ele me respondesse para que pudéssemos polemizar essa mística absurda que a FEB vem tentando a mais de um século inserir na doutrina espirita, mas infelizmente nosso amigo querido não tem tido disposição para encarar essa empreitada. Jorge Hessen estou enviando meus pensamentos aqui inseridos, também para o Jorge Godinho, pois do contrário seria falar dele, sem que ele soubesse do que eu estou dizendo a seu respeito, e isso seria uma atitude indigna de minha parte.
    Amigo querido, será que um dia o amigo Jorge Godinho vai se dispor a trocarmos ideias a respeito. desse misticismo insustentável de Roustang? Vamos aguardar.
    Um forte abraço meu amigão. J.S.


    O  articulista e discípulo de Roustaing  Jorge Leite,  frequentador da FEB,  manifestou-se “oficiosamente” nos seguintes termos:


    Caro J.S., amigos E.K. e A.O. e a quem mais possa interessar.
    Não incluí o Jorge Hessen porque não está nos meus contatos de E-mail e, quando tentei incluí-lo li uma observação de que eu "não estava nos seus contatos, teria que ter autorização para incluí-lo", etc. Lamento, pois, não contatá-lo diretamente, uma vez que o cito abaixo, embora o não conheça pessoalmente e, sim, principalmente pelos ataques sistemáticos que faz à Federação Espírita Brasileira, a quem sempre critica como "roustanguista".
    Quanta bobagem dita por pessoas muito cultas, mas pouco sábias quanto atacam a Federação Espírita Brasileira (FEB) com a pecha de roustanguista e, quando não é por isso, sempre têm algo a criticá-la. Por que não frequentam a FEB, durante um ou dois anos, antes de criticar o chamado roustanguismo da Instituição venerável?
    Vão lá, de domingo a domingo. Assistam às aulas da FEB, às explanações de segunda a sexta-feira, às aulas do ESDE e do EADE, compareçam às palestras de terças, sextas e domingos, e vejam se ali é, ao menos citado Roustaing, exceção a eventual citação na reunião pública de terça-feira, ainda assim raramente, quando se evita os assuntos controversos, para depois fazer suas críticas.
    Repito: apenas num dia da semana as obras de Roustaing são estudadas, mas evitando-se sempre a polêmica e buscando a consonância dos ensinos morais do Cristo ali existentes com os que o Cristo pregou e Kardec comentou, sistematizou e praticou sem polemizar com ninguém. Coisa que falta a muita gente, inconformada por não ter acesso ao poder espiritual que imaginam ter direito, embora jamais tenham exercitado a tolerância e a fraternidade entre seus próprios confrades espíritas.
    Jamais se impõe na FEB as obras de Roustaing, e digo isso como quem frequenta essa Casa há quase quarenta anos. Muito menos se pode dizer que a maioria dos seus dirigentes é roustanguista,  menos ainda seus colaboradores. Vão lá, se me consideram mentiroso e roustanguista.
    Vejam com seus próprios olhos. Façam mais, visitem o Lar Frederico Fígner, voltado à prática da autêntica caridade, na 910 Norte, em Brasília, ou o Núcleo Espírita Guillon Ribeiro, aos sábados, no período matutino, em Santo Antônio do Descoberto, GO, instituições mantidas pela Federação. Vejam, pessoalmente, em todas as atividades desses núcleos, se a obra de Roustaing ao menos é citada, em qualquer dia da semana. Façam mais, dediquem-se à Instituição Febiana por algumas décadas, como colaboradores em atividades diversas (explanação, monitoração, distribuição de cestas básicas, recepção e acolhimento fraterno, estudo das obras básicas de Allan Kardec, revisões de suas obras, análises de obras propostas para publicação etc. etc. etc.)
    Já está na hora de dar um basta aos ataques à FEB e a qualquer instituição espírita, para o bem da Doutrina Espírita. Que é isso? Somos ou não somos espíritas? Se o somos, não nos cabe incentivar a divisão e sim, buscar a união, assumirmos nossa condição de Espíritas cristãos.
    Minha família, assim como eu, fomos evangelizados na FEB, e isso  nos tem sido motivo de orgulho familiar. Ali, durante mais de trinta anos, proferi palestras e fui monitor do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE)  e do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita (EADE). Raríssimas vezes, ao longo desses 37 anos em que lá estou, ouvi falar-se sobre Roustaing, que li na juventude e conheço, por também ter lido, a opinião de Kardec sobre a obra Os quatro evangelhos, atribuídos a Roustaing que, na realidade, não foi psicografada por ele e que, inclusive, é citada por Allan Kardec como obra complementar em seu livro intitulado O espiritismo na sua expressão mais simples.
    Não pleiteio e nunca pleiteei cargo na FEB, meu único objetivo é atender o que o Cristo recomendou: "Meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem". Se ainda não consegui minha transformação moral, como exigir a do meu próximo? Meu objetivo não é e nunca foi a promoção pessoal e sim, aprender e servir sempre, com "Deus, Cristo e caridade" como lema, sem ataque a qualquer instituição espírita e esforçando-me em tratar com urbanidade e respeito meu próximo, seja ele quem for.
    Nunca vi Jorge Hessen na sede da Federação Espírita em Brasília e, se ele ali já esteve, nunca nos encontramos. Se ofendi algum de vocês, perdoem-me, não voltarei ao assunto, mas não é desse modo que estaremos trabalhando pela difusão do Espiritismo no Brasil e no mundo. Também não é isso o que Kardec e Jesus esperam de nós. O que Jesus nos pede é que, assim como Ele, sejamos os mais humildes servidores de todos, sem qualquer prurido pelo poder, seja ele material ou espiritual.
    “Fraternalmente”,
    Jorge leite


    A partir desse “estouro” não reprimido do articulista roustanguista  Jorge Leite,  os renomados escritores arrostaram a suscitação, com racionalidade e bom senso conforme podemos  observar abaixo:


    J.S.  escreveu-me:

    Jorge Hessen , meu amigo querido; 
    Eu vou responder, pois esperava ansioso uma oportunidade destas, falando ao Jorge Leite, estarei a falar a todos os roustanguistas da FEB, e alguns espalhados pretendendo confundir-se como espíritas.
    Vou começar um repto respeitoso, atento ao amor, mas amando muito mais o espiritismo, do que a mim próprio, descerei do pedestal de minhas ilusões, e ciente de que eles não têm argumentos lógicos, vou proporcionar-lhes uma oportunidade de perlengar, mas no final os informareis de que eles não fizeram outra coisa que não perlengar.
    Amigão, não me respondeu o Jorge Godinho, mas um fã da ideologia deste. Vou aguardar um pouco mais, para receber os pareceres do EK, JP, RC e do AO, pois se eles apresentarem algo, eu apenas corroboro e sequencio as palavras deles, senão eu início, e sabe Deus quando é que isto vai acabar, mas não tenho pressa, pois a eternidade me pertence meu amigo.
    Um abração amigo querido
    J.S.


    J.A. escreveu-me:

    Bom dia amigos, peço que inclua dois companheiros amigos que confiamos e que pensam como nós em seu seleto grupo de amigos que recebem os e-mails A.S.  e V.A. aproveito e envio link de um texto de V.A. que  postamos para análise dos amigos:.......Abraços  J.A.


    R.C.  Escreveu para J.S.

    amigo querido.
    Meu nome não foi citado pelo Jorge Leite Oliveira, porque sou um "ilustre" desconhecido e isto me honra deveras, porque ser criticado pelo dito cujo seria uma honra inenarrável porquanto só o fato do cidadão dizer que a FEB, UMA VEZ POR SEMANA, estuda Roustaing, prova indiscutível e insofismavelmente que a entidade não pode ser a Casa Mater do Espiritismo, uma vez que fora de Kardec existe apenas espiritualismo. Kardec é o Codificador da Doutrina dos Espíritos que se contêm no Pentateuco vindo à luz desde França até o restante do Mundo, naquela união inquebrantável do Mestre de Lion com a plêiade do Espírito da Verdade.
    Não te apoquentes meu amigo e irmão querido. Digladiar com quem ignora a Verdade preferindo as mazelas dos encantamentos dos desequilíbrios seria o mesmo que se transformar em Don Quixote para esgrimir contra moinhos de ventos. Siga a ponderação de Jorge Hessen e aja como os beduínos no deserto que não ouvem os ladrares enquanto a caravana passa.
    Abração. R.K.


    W. do Site ..... escreveu para Jorge Leite:
    Caro amigo
    Jorge Leite Oliveira...
    Saudações Kardequianas...
    Esta sendo muito injusto... Com O Jorge Hessen... Não sou seu advogado... Mais ele se dedica 24 horas a causa de Cristo/Kardec... Alimenta a dezenas de sites espíritas... Busca fortalecer a Doutrina Espírita no Brasil... Trazendo alimentos a dezenas de sofredores que vagam na ignorância...O Movimento espírita  no Brasil está agonizante... Até parece nos períodos finais da França de Kardec...Pelo que noto... A FEB... E o seu dirigente máximo (Godinho).... Estão em palestras constantes na Suíça... Ele viaja diariamente... A este pais... Até parece que ele pertence a Presidência da Federação Espírita da Suíça... Não vejo ele visitando aos centros espíritas pobres espalhados dentro do Brasil.... Onde a miséria e a criminalidade provocam a destruição da família...
    O Espiritismo no  Brasil... está sendo atacado por uma horda... De obras e de médiuns mistificadores... Que com o conluio com plano espiritual inferior buscam mudar os ensinos de Kardec... Enquanto isto a FEB... Ao menos  01 dia da semana se dedica ao estudo da obra de Roustaing???!!!  Já li as obras Os 4 evangelhos... Nada soma ao Espiritismo...Para mim nada representa... Somente um cego... Não nota esta mistificação...
    Pelas minhas pesquisas... Roustaing e a sua médium... Dentro do Espiritismo e suas várias fases históricas... Antes de Chegar ao Brasil... Provocou a desunião do seio do mundo espírita...E ainda provoca...Busquemos a união... Mais em Cristo/Kardec... Este e o único caminho...
    Vamos fazer um grito de união... Contra a publicação de obras de Roustaing...Que está no prelo...Veja amigo... Jorge Leite... O que pode acontecer... Quando o Espiritismo morreu na França de Kardec... Veja que as forças da destruição estão presentes dentro do Movimento Espírita Brasileiro...
    A luta segue  W


    R.C. escreveu:   J.S. e demais amigos

    Li a mensagem do W. para o Jorge Leite Oliveira que você postou.
    Gostaria que você passasse para o W que felizmente  as Casas Espíritas do interior, vivem e vivificam a obra kardecista em sua plenitude, respeito, acatamento e consideração. Que ele pode ficar tranquilo que Roustaing e a FEB rustenista vão dançar antes do fim deste século. Nossos jovens não se sentem acomodados na perlenga, estudando Kardec com afinco e dedicação, têm demonstrado um conhecimento doutrinário que muita gente antiga sequer passa perto.
    Nossa casa é exemplo aqui em ....... com os jovens dando verdadeiros shows de conhecimento doutrinário, mais puro e verdadeiro e sempre com Kardec. Usamos aqui a metodologia socrática da Maiêutica que demonstra insofismavelmente que todos têm algum conhecimento de tudo, por mais ignorante que seja. E partindo de um conhecimento mínimo, discutimos todos, de igual para igual, até concluirmos todos os ângulos de qualquer questão doutrinária que se nos apresente.
    Há uma sequiosidade para se chegar à pureza doutrinária, jamais tergiversando com os implantes e outras questões do achismo como sói acontecer com aqueles que se enveredam pelas sendas rustenistas e ou outras baboseiras pelas quais o "crente de araque" quer se introduzir para aparecer. O resultado do estudo através da Maiêutica é fantástico. Na nossa Casa as palestras praticamente não existem, pois tudo se transforma numa discussão tranquila em que todos apresentam seu entendimento enriquecendo o aprendizado de todos.
    A FEB, ora a FEB já era. Não manda mais nada. É só um grupelho de fascinados que não se dá conta de que se encontram na contramão da Doutrina, guiados pelos espíritos que os submete aos piores vexames diante da Espiritualidade Maior. Lamentavelmente.
    Estou enviando este e-mail, também para o Hessen, para o E.K. para o J.P.
    Abração. R.C.


    J.S. escreveu:  Amigo W;

    Fico muito feliz com a sua disposição e clareza lógica como você vê o movimento roustanguista tentando se inserir na doutrina espírita. E ainda mais feliz por você compreender o trabalho maravilhoso do Hessen, pois ele é um amigo que tem dedicado sua vida ao movimento espirita. Amigo tenho enviado cartas ao Godinho, tentando um diálogo com o mesmo, mas infelizmente tem sido em vão, iria refutar o Jorge Leite, mas aconselhado por meus amigos, inclusive pelo Hessen, acabei declinando e não o fiz. Pela lógica que você apresenta, sei que não necessitara de mim, caso o amigo Jorge Leite queira polemizar, mas se precisar estou a seu dispor.
    Você já vem recebendo meus e-mails através do Site Espirita, mas vou inserir seu e-mail pessoal.
    Um abraço do mais fundo do meu coração   Sola


    V.A. escreveu para o grupo de meus amigos:

    Caros,
    Bom dia!
    Agradeço, desde já, fazer parte deste grupo e de suas reflexões. Ao manifestar-me, procurarei sempre, com respeito, fazê-lo no campo das ideias, trazendo reflexões e comentários sem o propósito de alcançar quem quer que seja (mesmo quando estiver falando de algum posto de destaque). Assim como acolher, analisar e refletir nas críticas decorrentes de nossos comentários
    No que diz respeito ao comentário do Jorge Leite Oliveira, não pairam dúvidas quanto às atividades que existem na sede da Federação, assim como a fraternidade com que todos são acolhidos e tratados. Comenta o confrade que, nas dependências da Federação, não se estuda, salvo an passant, as obras de Roustaing.
    Entretanto, ainda que seja de forma breve, tais ideias e teorias místicas, são difundidas. Só esse fato já seria tão comprometedor quanto as terapias psicológicas, místicas e outras que temos acompanhado na tribuna espírita. Mas, o mais grave, não é a limitada propagação nas dependências da Federação e sim, sua publicação, por intermédio de diversos livros que utilizam do pensamento de Roustaing como base. Livros adulterados, como Brasil Coração do Mundo e outras obras renitentes no pensamento roustainguista, se somadas, já fizeram muito barulho no movimento espírita.
    Talvez, já que falo em gravidade, mais grave ainda do que as edições dessas obras, seja a ausência da Federação em cumprir seu papel como entidade federativa. As atividades doutrinárias em suas dependências, deveriam funcionar como laboratório. Assim nasceu o ESDE, e mais recentemente, o NEPE (que, já morreu). Porém, esse laboratório de estudos, métodos e ferramentas didáticas deveria ter nas Federativas, extensões atuantes. O que se vê? Absolutamente nada. Nada por incompetência da Federação e por falta de pro-atividade de suas federadas, salvo honradas e diminutas exceções (que na atualidade, encontram-se adormecidas).
    A Federação pode até ter atividades fraternas em suas dependências, mas age de forma equivocada, como se fosse um “grande centro espírita”. Não é esse o seu papel. E, naquilo que é o seu papel, ela tem deixado muito a desejar. Está ausente.
    Creio que está na hora de dar um basta é na existência de uma Federação que não age como tal, que não tem vivência do que seja um sistema federativo e de sua importância para a propagação e coesão das ideias doutrinárias, respeitando o projeto 1868 e o seu estabelecimento central.
    Quando assim me pronuncio, não o faço com o objetivo de “detratar” a Federação. É uma crítica dura, sem dúvida, subjetiva, quer dizer, fruto do meu entendimento e visão do sistema, que pode ser utilizada de forma fraterna, como uma contribuição, ou ser tomada como um desrespeito e aí verem um “inimigo” onde, na realidade, existe apenas um pensamento crítico.
    Tenho pessoas muito queridas ao meu coração no movimento de Unificação. Grandes amigos que um dia abrilhantaram essas discussões, mas, por forças políticas, de correntes que não Unem e nem muito menos Unificam, se afastaram.
    Não sou contra a Federação. Sou contra sua omissão a pretexto da fraternidade. Sou contra sua conivência diante do que é mais “fácil” executar. Sou contra sua forma oportunista de agir, sou contra sua negligência em Unificar e jogar na lama do descaso ilustres espíritas que por lá porfiaram e que iniciaram suas atividades nas Casas Espíritas.
    Fraterno abraço em todos. V.A.


    Jorge Hessen escreveu:

    V. A. ,

    Muita paz!
    Suas expressões de lógica "indignação” são análogos aos avançados laudos  de ressonância magnética. Embrenha-se nas mais intensas regiões e identifica as materializadas metástases doutrinárias provenientes da "cúria candanga” da L2 Norte de Brasília , ou melhor, do centrão espírita "FEB". Reflexão Irretocável!
    Parafraseando o antigo pensador espirita: "O Espiritismo caminhará com a FEB, sem a FEB e apesar da FEB e demais federativas....


    V. A. escreveu-me: Caro Hessen,

    Paz a todos nós!
    A metáfora é perfeita! O tratamento é agressivo e pode deixar sequelas, porém, precisa ser feito o quanto antes, sob pena de sucumbir. O momento exige profundas transformações, que passam pela queda de cláusulas pétreas estapafúrdias, até uma união vigorosa por meio de um diálogo intenso com o movimento espírita, convidando a todos para suas contribuições a benefício da própria propagação doutrinária.
    Obrigado!!!
    Fraterno abraço! V.A.


    R.C. escreveu: Amigo e irmão.

    Fico feliz de saber-te contrário às incursões rustenistas nas hostes do Espiritismo. Minhas relações doutrinárias com Hessen, E.K, J.P., J.S. tem-me trazido honra inenarrável, pela capacidade de discernimento de cada um deles no que tange ao Espiritismo. Nasci espírita sob a orientação direta de José Herculano Pires, "o melhor metro que mediu Kardec", mas, devo a estes nossos irmãos o desenvolvimento necessário para jamais tergiversar com a Doutrina Espírita que veio através do Espírito da Verdade diretamente ditado para Rivail. Herculano, por sua vez, jamais comungou qualquer heresia e principalmente a trazida pela FEB desde que o Movimento Espírita foi dominado pelas trevas que reinam na "sede". Ao revés foi criticado e severamente combatido pelos defensores de Roustaing e da Santa Madre Igreja e seguidores do alfarrábio Os Quatro Evangelhos.
    Data a maxima venia, Espiritismo fora do Pentateuco pode ser, quando muito e com excesso de boa vontade do verdadeiro crente, espiritualismo e nada mais. Ademais, a história já provou e comprovou que a obra rustenista foi ditada por 4 pseudos evangelistas, facciosos e, não fora a incúria de nossos infelizes dirigentes febianos, desde muito já teria desaparecido. Mas, sem bola de cristal, sem achismos, podes te fiar que em menos de 50 anos Roustaing e sua claque febiana terão desaparecido, porque a Doutrina advinda do Espírito da Verdade através de Kardec, cobrirá todas as heresias e fantasias que infelizmente ainda infestam o Movimento.
    Estou remetendo cópias para os amigos de sempre, inclusive para o meu cunhado
    Leia Kardec, sinta Kardec, viva Kardec que jamais te encontrarás só.
    Abração.
    R.C.





    J.P. escreveu.  
     Prezado Irmão, Jorge Leite

    Conheço, de algum tempo, nosso irmão Jorge Hessen, pessoa estudiosa, que não tem preconceito contra ninguém. Se ele não o incluiu em seus contatos é porque talvez esperasse uma concordância sua. Nada além disso.
    Realmente ele, como eu, não concorda, em absoluto, com a postura roustainguista da FEB, que tem agido, veladamente ou não, na defesa dessa obra que tem raízes profundas no clericalismo, além de assumir posições abertamente contrárias à Doutrina Espírita.
    Mando-lhe análise que fiz, acompanhada de oito páginas da edição de 1942, que foram suprimidas na de 1971, por conterem ataques de Roustaing a Kardec. Só isso prova a parcialidade de julgamento das sucessivas Presidências da FEB.
    Enviei esse material, que ora lhe mando, ao atual Presidente da FEB, que nada me respondeu.
    Fui informado que nova edição estava para ser lançada em fins de 2015. Mais tarde, na própria sede da FEB, disseram-me que uma nova edição estava pronta e que seria lançada em outubro de 2016. Estive mais tarde na sede da FEB e nada me informaram. Espero, que para o bem do Movimento Espírita Brasileiro, esse adiamento não tenha fim.
    Abraço fraternal
    J.P.



    Eis Roustaing ofendendo Kardec




    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Eis Roustaing ofendendo Kardec

    Jorge Hessen escreveu: 

    Estimado professor J.P.
    Grato pelo carinho de sempre e pelas intensas circunspecções. Suas inteligências doutrinárias são ajuizadas, tranquilas, cordatas, fraternais e adequadas Em nome do Cristo, muito obrigado! Ah! o "Jorge Leite", autor da “epístola virtual” citando-me é do time dos confessadamente roustanguistas  e não sairá nunca da hipnose doutrinária (ainda mesmo que  supostamente eliminando o que ele distingue trechos  polêmicos das louvações roustanistas das terças febiana).
    O grupo roustanguista febiano é  composto pelo Presidente , Vice Presidente e seu poderoso irmão , do Secretário Geral e outros influentes cardeais todos invariavelmente apaixonados pelas obras de Routaing (conheço a ideologia de todos eles) . Enfim, prossigamos em paz e não podemos mais olhar para trás senão tropeçamos e nesta altura do campeonato, cair na área poderá ser marcado o pênalti pelo Juiz Supremo. (risos)
    Forte abraço amigão Jorge


    E.K. escreveu; Amigos e irmãos em Jesus: paz!

    O e-mail do Jorge Leite Oliveira, dirigido ao J.S., ao A.O. e a mim, citando Jorge Hessen é uma peça rara.
    Comento-a só agora, chegado a poucas horas de ......., onde, Graças a DEUS, passei alguns dias, com minha esposa. Sem computador. Pelo meu telefone celular, mais ou menos capaz, só recebo e-mails. Daí que “parece” que demorei a me manifestar. Faço-o agora.
    Preocupei-me assaz com o e-mail do Jorge Leite.
    Provém de um membro super atuante na FEB. De rara cultura. E sendo da FEB, implicitamente aceita e acata Kardec, mas ao que tudo indica inclina-se paralelamente a aceitar Roustaing. Como muitos outros companheiros que militam na FEB.
    Digo que é peça rara porque, ao que saiba, é por primeira vez que alguém com tal cadastro informa que a FEB estuda semanalmente Roustaing.
    E diz mais: que em 37 anos de frequência assídua não viu propaganda pró Roustaing. Não bastasse, faz comovente e sincera ode às atividades assistenciais da FEB, nelas incluindo-se vasto repertório de estudos doutrinários, o que me leva a fazer uma continha infantil: semanalmente, 6 dias de Kardec e 1 de Roustaing.
    Pinço uma frase inicial no e-mail do Jorge Leite, após ele citar Jorge Hessen:
    Quanta bobagem dita por pessoas muito cultas, mas pouco sábias quanto (sic) atacam a Federação Espírita Brasileira (FEB) com a pecha de roustanguista e, quando não é por isso, sempre têm algo a criticá-la.
    Não sou advogado de ninguém, mas não me calo diante dessa frase infeliz. Jorge Hessen é um baluarte, exemplar e mestre da divulgação espírita. Tenho subida honra de tê-lo como amigo, sentimento que se irmana à grande admiração do fôlego que ele desenvolve pró a Codificação.
    E indo além: J.S., amigo igualmente querido, é outro servo de Jesus, a serviço do Espiritismo.
    Jorge Leite ignora o e-mail do Hessen, daí que deduzo que o seu sinaliza que não vem exclusivamente dele e sim com aval da FEB. Se estiver enganado, releve-me, mas, a ser verdade, constitui contrafação “coletiva” febeana ao Hessen, pelos artigos em que expõe à FEB (obviamente aos dirigentes dela) como o roustainguismo é prejudicial à essência da Codificação. Nada mais. Simples assim.
    Pensar que Hessen e J.S. de alguma forma agridem à abençoada instituição espiritual que é a FEB é reduzir por demais os termos que usam.
    Sou amigo também do Jorge Leite, desde que há dois anos recebi de um amigo uma crônica dele, “machadiana”, com moldura kardequiana.
    Recebi diversos e-mails dele e enviei-lhe outros tantos. Navegamos na fraternidade. Espero que esse laço não se rompa.
    Se minha saúde possibilitasse  iria a Brasília e daria um jeito dos dois Jorges se conhecerem.
    No fundo, no fundo, são duas pessoas especiais. Ambos de grande cultura, espíritas dos mais estudiosos, sinceros, fraternais.
    Pensando em Jesus e ambos conversando, “olho no olho”, em menos de meia hora os dois Jorges desatariam esses nós (seculares, aliás).
    Erraria quem dissesse que a dissensão criada a partir de Roustaing alcançou apenas ao Hessen. Não! Penso que muito maior número de pensadores como o Hessen, dentre os quais me incluo intransigentemente, envolveram-se nela e discordam de que seja proveitoso à doutrina dos Espíritos estudar a obra de Roustaing.
    Sou dos que nada, absolutamente nada têm contra quem quiser estudar Roustaing. É-lhes direito inviolável.
    O que discordo tacitamente é que Roustaing tenha assento nos estudos da FEB, a ponto disso lá ser considerado “cláusula pétrea”.
    Concluindo este e-mail, reproduzo dois admiráveis parágrafos do e-mail original do Jorge Leite (penso exatamente como ele) que “os tempos são chegados...”.
            “Já está na hora de dar um basta aos ataques à FEB e a qualquer instituição espírita, para o bem da Doutrina Espírita.
            Que é isso? Somos ou não somos espíritas? Se o somos, não nos cabe incentivar a divisão e sim, buscar a união, assumirmos nossa condição de Espíritas cristãos”
    Jesus nos abençoe e nos encontre acordados, nenhum de nós permitindo um novo “Getsêmani” doutrinário.
    Envio-lhes meu abraço, com minha alma em gratidão e amizade a todos.
    E.K.
    (Penitencio-me da prolixidade... É-me inevitável...) - Relembro André Luiz, em “Entre a Terra e o Céu”, cap. 36 “Corações renovados”:
            O capítulo sinaliza e confirma que quando há divergências pessoais e um dos envolvidos se veste de humildade e oferta entendimento e perdão, na forma de caridade, desata-se o nó e na alma brilha o céu da paz sob o sol do Amor, sem as nuvens da mágoa ou do ressentimento.
    E.K.



    R.C. escreveu:  Caríssimo E.K.,

    Já estava com saudades dos teus ditos e escritos.
    Também me abespinhava de perplexidade diante do que Jorge Leite Oliveira escrevera sobre o Hessen. Mas conhecedor da serenidade das grandes almas, Jorge Hessen nem se abalou, lembrando-me o Cristo de Deus antes do último suspiro: - "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
    Também me lembro de Malba Tahan que cantou em versos: os cães ladram enquanto a caravana passa. Não, não te assuste com esta expressão, não estou nominando ninguém como cão e nem que Hessen seja a caravana, mas, que a serenidade do nosso irmão é muito mais vibrante que todos os impropérios que queiram lançar sobre ele ou contra quem não seja roustainguista, ah! isto é.
    Então me louvo em ser pequeno, no tamanho e na cultura, pois não foi o que o Cristo disse - Bem-aventurados os pequeninos porque deles é o Reino dos Céus?
    Sendo pequeno, qualquer portinhola servirá para que eu entre lá (assim espero, rsrsrsrs) que não sejam enxergados os meus pecados grandes ou pequenos.
    Pelo que conheço o Hessen, ele não se mortificou pelas incúrias lançadas e num vulgar ditado, tenho certeza que o "que vem de baixo, não o atinge".
    Oremos por eles e o roustinguismo desaparecerá antes do fim do século XXI, pois tudo é que contra a ordem natural das coisas, fenece e desaparece.
    Abração. R.C.
    Ps. Como falei do Hessen, estou mandando cópia deste para ele.



    J.S. Escreveu:  Amigo R.C.,

    Não consegui descobrir a quem você endereça estas palavras, mas posso dizer-te de que estão bonitas e repletas de muita propriedade.
    E quando você informa que me deve no campo do conhecimento adquirido, entendo que hajas apreendido alguma coisa ainda que elementar comigo, mas eu também aprendi e muito com você amigo R.C., pois você é um estudioso da doutrina, e se demora atento aos postulados do espiritismo.
    Agradeço primeiramente a Deus e a Jesus, e depois a Jorge Hessen por haver nos apresentado um ao outro, pois você é um amigo inesquecível.
    Até me pediu para eu não polemizar a mística rustenista, e isto para que eu evitasse fadiga não é mesmo meu amigo? rsrsrs
    Um abração meu amigo. J.S.


    J.S. escreveu: Amigo E.K. querido;

    Esse é o E.K. que eu conheço, sempre pronto a defender a lidimes, a lógica e racionalidade do espiritismo.
    Vamos aproveitar os nossos dias de maturidade, que graças ao bom Deus, não aconteceu apenas no corpo físico, mas também na alma, e vamos desmitificar a nossa doutrina.
    Quando formos velhinhos meu amigo, espero já havermos alcançado a benção de apreciamos a nossa doutrina maravilhosa, lidima lógica e racional, esparzindo amor e luz a humanidade, então completamente liberta dos misticismos que tentam impingir-lhe.
    Amigo estou pretendendo comprar um helicóptero, e então vou passar uma tarde com você em ......., me aguarde. rsrsrs
    Parabéns meu amigo.
    Um abração.

    sexta-feira, 31 de março de 2017

    Espiritismo e medicina - Caminhos para terapêutica dos distúrbios mentais (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen

    As mulheres em quase toda a Inglaterra são agredidas ou às vezes ficam em situações muito desumanas, como no caso das mulheres grávidas que perdem seus bebês (aborto)  diante das violências praticadas pelos seus esposos (muitos deles obsidiados) diagnosticados como estressados pós-traumático. Uma delas , a britânica Lindsey Roberts, diz ter sofrido cinco abortos após ser agredida por seu marido, o militar Andrew Roberts, que era um obsedado  e repleto  de paranóias de guerra , além de distúrbios de ansiedade  contraídos nos campos de batalha (Iraque, Afeganistão). (1)
    A obsessão é a trágica pandemia dos dias atuais. A perturbação espiritual  dos soldados oriundos dos campos de batalha não é um problema inglês, pois nos EUA, na França, na Itália é comum existirem homens (ex-soldados) obsidiados, portadores de demência e distúrbios de ansiedade, contraídos nos campos de guerra, lembrando aqui que tais países fomentam,  convivem e mantêm a guerra no planeta.

    O fato é que a ciência desses países e do mundo não alcança elucidar suficientemente as razoáveis causas dos distúrbios espirituais , psicológicos e mentais de ex-combatentes. O psiquiatra se mantém aprisionado aos limites do cérebro, fonte que, como nós espíritas sabemos, não é a raiz essencial das patologias, sejam espirituais e/ou mentais, mas tão somente a exteriorização do efeito da enfermidade.

    A ideia da existência de um “ente” extra físico (Espírito) pode elucidar a origem de muitos enigmas patológicos da psiquê. Em todas as épocas da história das civilizações, existiram psicopatas que sofriam influências nefastas desses “entes” extra físicos (obsessores e inimigos de guerra), e, em alguns casos, envolvendo personagens que se celebrizaram por seus atos.
    Nabucodonosor II, rei dos Caldeus, sofreu uma licantropia e pastava no jardim do palácio, como um animal. Tibério, envolvido por muitos espíritos cobradores, cometeu muitos deslizes, com muita malignidade. Calígula e Gengis-Khan marcaram presença, em função de suas aberrações psicóticas. Domício Nero, em função de grandes desequilíbrios psíquicos, entre tantos equívocos, mandou assassinar a mãe e sua esposa, e, depois, as reencontrava em desdobramentos.

    Até mesmo no campo das artes encontramos obsedados por “entes” extra físicos. Dostoiévski sofria de ataques “epilépticos”. Nietzsche perambulou pelos asilos de “alienados”. Van Gogh cortou as orelhas num momento de “insanidade” e as enviou de presente para sua musa inspiradora, findando, posteriormente, a vida, com um tiro. Schumann, notável compositor, atirou-se ao Reno, sendo salvo pelos amigos e internado num hospício, onde ele encerrou a carreira. Edgar Allan Poe sucumbiu arrasado pelo álcool e tendo visões infernais.

    Naturalmente há tratamento para tais problemas. A terapêutica para as tragédias psicopatológicas (obsessivas ou não) é essencialmente preventiva. O Espiritismo sugere a resignação ante às vicissitudes da vida que poderiam causar o acirramento ou a atenuação da doença. Para que haja mais sucesso no tratamento do processo obsessivo, o primeiro passo é que se faça um bom diagnóstico do conjunto dos sintomas.

    Apesar de todos os esforços, às vezes, é difícil fazer um diagnóstico diferencial específico, considerando que os sinais e sintomas são idênticos, tanto na loucura, propriamente dita, com lesões cerebrais, quanto nos processos obsessivos, onde há grande perturbação na transmissão do pensamento.

    Para tratamentos das obsessões é fundamental que se considere a existência do psicossoma, contextura sutil que envolve o corpo físico. “É por seu intermédio que o Espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados. O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.” (2)

    O êxito do tratamento ou até mesmo “a cura se opera mediante a substituição de uma molécula [perispiritual] malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.” (3)

    Urge, mais uma vez, deixar bem claro que o tratamento espiritual, oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico. O prognóstico, de modo geral, poderá ser bom ou ruim, considerando todos os fatores envolvidos, especialmente, o interesse do obsidiado em profundas transformações íntimas e a boa vontade da família em dar-lhe toda a assistência possível sob todos os aspectos.

    “A Doutrina Espírita, aliada às Ciências Médicas, poderá se entender não se contradizendo, mas de mãos dadas, caminhando juntas, buscando todos os recursos disponíveis no sentido de abrandar o sofrimento do doente[obsedado]” (4). Caso contrário, “a ciência nadará em um oceano de incertezas, enquanto acreditar que a loucura depende, exclusivamente, do cérebro. A ciência precisa distinguir as causas físicas das causas morais, para poder aplicar às moléstias os meios correlativos”.(5)

    Referencias bibliográficas:
    [1]       Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-39191695    acesso em 30/03/2017
    [2]       KARDEC, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
    [3]       KARDEC, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
    [4]       KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 117ª edição, 1990, Instituto de Difusão Espírita - IDE, 117ª ed., cap. I, item 8

    [5]       MENEZES Adolfo Bezerra de. A Loucura sob um Novo Prisma, 2ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1987

    sexta-feira, 24 de março de 2017

    Um homem, uma história resignificando o vínculo solidário (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 

    Objetivando transmitir uma mensagem de “alento” e “esperança” a pessoas em desespero, John Edwards, de 61 anos, um ex-dependente de drogas e ex-alcóolatra (sóbrio há mais de duas décadas) inexplicavelmente se voluntariou deitar em um caixão que foi fechado e enterrado no terreno de uma igreja de Belfast, na Irlanda do Norte. Obviamente o ataúde foi especialmente adaptado para que Edwards “sobrevivesse” por três dias (quando fosse desenterrado) e pudesse transmitir a experiência ao vivo pelas redes sociais.

    No passado Edwards enfrentou abuso sexual, viveu na rua, recebeu tratamentos para distúrbios mentais, sobreviveu a várias overdoses e “perdeu” mais de 20 amigos por conta de abuso de drogas, álcool e suicídios. Sobreviveu a dois cânceres e a um transplante de fígado após desenvolver hepatite C por causa de uma agulha contaminada.

    Há quase 30 anos, após passar pelo que descreveu como um "incrível encontro com Deus”, Edwards criou vários centros cristãos de reabilitação e abrigos para moradores de rua. Atualmente se dedica a aconselhar e orar com pessoas em situações de abandono e desesperança. [1]

    Em que pese o desígnio altruístico de John Edwards, é evidente que agiu de forma irracional ao se permitir enterrar vivo por três dias, visando gritar o brado da “esperança” para as pessoas em desespero. A rigor, tal manifesto não faz sentido lógico sob qualquer análise racional. Entretanto, deixando de lado essa insanidade (sepultar-se vivo), vislumbremos os efeitos positivos da transformação de sua vida pessoal.

    Importa reconhecermos que os diversos núcleos de reabilitação e abrigos para moradores de rua instituídos por John são passaportes pujantes para auto conquista da paz espiritual. Nisso Edwards acertou em cheio, pois embrenhou-se no orbe da solidariedade através do compartilhamento de um sentimento de identificação em relação ao sofrimento alheio. Não apenas reconheceu a situação delicada dos moradores de rua, mas também auxiliou essas pessoas desamparadas.

    Sabemos que os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima “Fora da Caridade não há Salvação” [2] é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. Nesse sentido, a solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora.

    Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deterioram o materialismo, orientam para que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos” [3]. Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade” [4].

    A recomendação do Cristo de “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” [5] assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião.

    É imprescindível darmo-nos através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade para atender substancialmente as nossas obrigações primárias à frente do Cristo. [6]

    Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações com a força irresistível do exemplo



    Referências bibliográficas:

    [1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-39191185 acesso em 21-03-2017
    [2] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV
    [3] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, pergunta 799
    [4] Idem 
    [5] Jo 15.12
    [6] Xavier, Francisco Cândido. “Fonte Viva” ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

    quarta-feira, 15 de março de 2017

    Espíritos afins (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen

    Jennifer Bricker participa de espetáculos de acrobacias aéreas e fascina as plateias com sua técnica. O mais impressionante é que Jennifer não possui as duas pernas. Aos 11 anos, já era uma campeã da ginástica, esporte pelo qual se apaixonou ao ver Dominique Moceanu ganhar uma medalha de ouro olímpica para os Estados Unidos em 1996.

    Jennifer não sabia, porém, que as duas tinham muito mais em comum do que o talento de atleta, eram irmãs consanguínea. Jennifer tinha poucos meses quando foi entregue para adoção porque não tinha pernas. Aos três anos recebeu próteses para as pernas, mas nunca as usava - se movimentava melhor sem elas. Ela adorava ver a equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos e, especialmente, uma atleta: Dominique Moceanu.

    Aos 10 anos, ela disputou os Jogos Olímpicos da Juventude e aos 11, foi campeã de ginástica tumbling pelo Estado de Illinois. Quando completou 16 anos, Jennifer perguntou à Sharon, a mãe adotiva, se havia algo que ela não tinha lhe contado sobre a sua família biológica. A adolescente não imaginava que a resposta fosse "sim". Sharon revelou-lhe que o sobrenome da sua família biológica era Moceanu e Dominique era sua irmã.

    Quatro anos depois, Jennifer escreveu uma carta para Moceanu, contando sua história explicando que Dominique foi seu ídolo a vida inteira a tinha inspirado a ser uma ginasta também. Ambas se encontraram e se conheceram pessoalmente até hoje estão unidas.

    Outro caso interessante aconteceu com as irmãs gêmeas Anais Bordier e Samantha Futerman. Ambas puderam se conhecer após 25 anos de idade. Uma não sabia da existência da outra, mas, um episódio da vida e a internet fizeram com que elas se reunissem. Ambas foram separadas depois do nascimento na Coréia do Sul e viveram e adotadas por famílias em diferentes países; Anais, em Paris, na França, e Samantha, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

    O reencontro começou a ser desenhado em dezembro de 2012, enquanto Anais, uma designer de moda, estava em um ônibus e recebeu de um amigo a imagem de um vídeo do YouTube onde aparecia Samantha, que é atriz. Anais diz que pensou que alguém havia postado um vídeo dela, mas percebeu que era uma garota que vivia nos Estados Unidos muito parecida com ela.

    Entrou em contato pelo Skype e ficaram mais de três horas de conversa. Posteriormente elas se conheceram pessoalmente em maio de 2013, em Londres, e desde então, mesmo vivendo em países diferentes, se comunicam várias vezes ao dia. Para Anais, descobrir que tem uma irmã é incrível, mas perceber que tem uma irmã gêmea é ainda mais inacreditável, porque as duas têm muito em comum.

    A história das irmãs foi transformada no livro "Separated @ Birth: A True Love Story of Twin Sisters Reunited", lançado em 2014 e o interessante é que cada uma escreveu um capítulo alternadamente.

    Sob o enfoque espírita, efetivamente, muitas afeições terrenas são condições construídas, geralmente nas preexistências, através dos laços permanentes de afinidades espirituais, que se estabelecem entre seres, que comungam das mesmas inclinações psicológicas, em estado semelhante de evolução intelecto-moral.

    Portanto, podemos analisar tema pelo prisma das almas “afins” que reencarnam na mesma família. Sabemos que a reencarnação é um mecanismo extremamente complexo. Suas variáveis vinculam-se ao estágio espiritual de cada reencarnante, considerando-se as obrigações de aprendizagem de todos os espíritos envolvidos para a convivência na Terra. Quando o espírito detém boa estrutura moral pode esquematizar sua reencarnação junto dos seres “afins”, sob a supervisão dos Benfeitores do além.

    Na dimensão espiritual, estando libertos das paixões que nos ligaram na Terra, nos atraímos e agrupamos em famílias mais amplas, unidos por sentimentos sinceros, tendo em vista o aperfeiçoamento de todos e alegrando-nos, com as conquistas de cada um dos nossos entes queridos em cada regresso ao além-túmulo, após mais uma vida na Terra, plena de lutas e provações experimentadas e ultrapassadas.

    No conjunto das reencarnações, “se uns espíritos encarnam e outros permanecem no além , nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam “livres” [no além] velam pelos que se acham em “cativeiro” [no corpo físico]. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento. ”[1]

    É bem verdade que dois Espíritos, que se afeiçoam, naturalmente se procuram um ao outro, nas suas caminhadas. Não ignoramos que entre os seres humanos há ligações afetivas ainda indecifráveis nos seus códigos misteriosos. O espectro do magnetismo é o auxiliar destas ligações, que futuramente compreenderemos melhor. ” [2]

    Os personagens mencionados nesta narrativa são incontestavelmente espíritos afins que se juntaram, pelas leis da atração e amam estar juntos. Não obstante, nem todos os espíritos “afins” tenham necessariamente que se ter conhecido numa vida anterior, pois eles se atraem magneticamente por inclinações semelhantes, isso frequentemente acontece.

    “A afeição que existe entre pessoas [especialmente]parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou…”[3] Desta forma, se todas as afeições forem purificadas “acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetuará no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito. ”[4]

    Referências bibliográficas:

    [1]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 18, RJ: Ed. FEB, 1977
    [2]        KARDEC, Alan. O Livros dos Espíritos, questão 388, RJ: Ed. FEB, 2002
    [3]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 19, RJ: Ed. FEB, 1977

    [4]        XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, questão 175, RJ: Ed. FEB, 2001

    sexta-feira, 10 de março de 2017

    Entrevista com o escritor espírita Jorge Hessen



    Jorge Hessen em visita 
    ao Museu Chico Xavier em Uberaba




    O Codificador do Paráclito
    Blog   http://pointier.blogspot.com.br/

    Jorge Hessen, nascido no Rio de Janeiro a 18/08/1951, aposentado do INMETRO, residente em Brasília desde 1972. Formado em Estudos Sociais com ênfase em Geografia, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade de Brasília- Unb.
    Membro fundador do Posto de Assistência Espírita (DF), jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros “Luz na Mente”, “Praeiro, um Peregrino nas Terras do Pantanal”, “Anuário Histórico Espírita 2002”( coletânea de diversos autores e trabalhos históricos de todo o Brasil, coordenado pelo Centro de Documentação Histórica da União das Sociedades Espíritas de São Paulo – USE ). Autor de 22 (vinte e dois) livros eletrônicos (E Books), todos traduzidos em Madri (espanhol), 2 (dois) traduzidos em Paris (francês) e 1 (um) traduzido para o inglês  (publicados pelo portal Autores Espíritas Clássicos), conforme o link: http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiritas%20-%20Jorge%20Hessen/Artigos%20Espiritas%20-%20Jorge%20Hessen.htm


    O Codificador do Paráclito:  Por que se tornou Espírita?

    Jorge Hessen: Entrei no orbe espírita estimulado por incontida investigação da Verdade cristã. Como não encontrava respostas noutras doutrinas cristãs busquei o Espiritismo e ele a tudo me respondeu.

    O Codificador do Paráclito:  O que lhe mais lhe impressionou na Doutrina Espírita?

    Jorge Hessen: Desde a primeira hora, fiquei maravilhado com a cautela, o bom senso, a habilidade de síntese e o acervo cultural de Allan Kardec. Procurei conhecer a biografia do professor Rivail. Percebi que estava diante de um gênio. Seu labor se consubstanciou na Terceira Revelação e obviamente isso foi fundamental para inspirar a minha paixão pelo Espiritismo.

    O Codificador do Paráclito:  O que sobressai na mensagem espírita?

    Jorge Hessen: O Espiritismo é o Consolador Prometido que desvenda conceitos surpreendentes sobre Deus, o Universo, os homens, a natureza e comunicação dos “mortos” com os “vivos”, a pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e as leis naturais que regem a vida. A Terceira Revelação acena-nos ainda com o soberano apelo para compreendermos e refletir sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

    O Codificador do Paráclito:  Quais foram os momentos que marcaram sua experiência doutrinária?

    Jorge Hessen:  Nesse absorvente rumo muitas vezes esbarro com as lágrimas, reflexas e resultantes da ignorância e truculência do homem hodierno; doutros momentos deparo em mim mesmo o ânimo do regozijo em razão dos grandes exemplos de amor, humildade e abnegação que identificamos  aqui e além no coração do próximo.

    O Codificador do Paráclito:    O que é a Terceira Revelação para você?

    Jorge Hessen:  É Ciência porque se consubstancia num conjunto reunido de informações concernentes a certas classes de eventos ou fenômenos transcendes avaliados experimentalmente, relacionados e descritos por Kardec e outros pesquisadores de renome, representado principalmente pelas obras básicas. É Filosofia sem tanger necessariamente o contexto filosófico tradicional (materialista), embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade de o homem ir em busca de seu autoburilamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da Humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a Vida e o Universo tendo como bandeira o axioma: “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei. ”É, por fim e sobretudo  Religião, porque propõe unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado pelo Evangelho de Jesus, permitido, dessa forma, que o homem se encontre com o próprio Criador, tendo como bandeira o lema:  “fora da caridade não há salvação.”

    O Codificador do Paráclito:  O Espiritismo precisa ser atualizado sob o ponto de vista científico? 

    Jorge Hessen: Fundamentalmente é importante ressaltarmos que o Espiritismo não tem incondicional necessidade da ciência terrena, pois como nos adverte Emmanuel na primeira questão da obra O Consolador: “Essa necessidade de modo algum pode ser absoluta. O concurso científico é sempre útil, quando oriundo da consciência esclarecida e da sinceridade do coração. Importa considerar, todavia, que a ciência do mundo se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.”  Eis aí o meu pensamento.

    O Codificador do Paráclito:  Qual é a sua mensagem àqueles que incorrem ao fanatismo religioso espírita?

    Jorge Hessen: O espírita sincero precisa compenetrar-se da oportunidade, no tempo e no ambiente, com relação aos assuntos doutrinários no seu tríplice aspecto, porquanto, qualquer inconsideração nesse particular, pode conduzir a fanatismo abominável, sem nenhum caráter construtivo.
    Herculano Pires já advertia sobre o igrejismo que assolava as hostes espíritas. Entendo que a FEB é roustanguista , por impor nos seus Estatutos o Parágrafo único , item III , Art. 1º  que “além das obras básicas a que se refere o inciso I, o estudo e a difusão compreenderão, também, a obra de J.-B. Roustaing e outras subsidiárias e complementares da Doutrina Espírita.” Desta forma,  o louvor das obras de Roustaing na FEB tem pervertido a racionalidade espírita no Brasil. Desconheço espíritas  mais maníacos do que os roustanguistas.
    Pelo exposto, entendo que no Brasil seja imprescindível a criação URGENTE de uma Confederação Espírita (longe de Roustaing), a fim de unir concreta e racionalmente os corações dos espíritas em torno do eminente Kardec, considerando sempre o Espiritismo em seu tríplice aspecto. Para esse desígnio compete aos atuais jovens espíritas e as lideranças contemporâneas se movimentarem a fim de concretizarem tal projeto.

    O Codificador do Paráclito:  Deveria ser acelerada a propagação do Espiritismo pelo mundo ?,

    Jorge Hessen: Não deve ser apressada a expansão e a propaganda espírita. Não há necessidade imediata. A organização do Espiritismo está nas mãos de Jesus, antes de qualquer esforço incerto e volúvel de nossa parte. É imprescindível estudarmos e aplicarmos os ensinamentos do Mestre à luz do Espiritismo, pois nossa tarefa maior deve ser da própria iluminação através de uma fé racional , inabalável e serena. Ademais, devemos oferecer aos serviços da propaganda doutrinária a cota de tempo de que possamos dispor, entre os trabalhos diário do ganha pão e o cumprimento dos deveres familiares. Para Emmanuel,  a execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.
    No trabalho da propaganda da verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.

    O Codificador do Paráclito: Suas considerações finais?

    Jorge Hessen: Espíritas!  Em favor da unidade entre nós,  repudiemos os conceitos equivocados que nos dividem, a exemplo do misticismo roustanguista febiano  e esquadrinhando em Allan Kardec a segura orientação doutrinária para melhor compreendermos Jesus.

    quarta-feira, 1 de março de 2017

    O “amor a si” , o “auto perdão” e o “próximo” como alvo (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 

    Estabeleceu Jesus a síntese da Lei: “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos”. [1] O resumo da Norma indicada pelo Mestre é das mais admiráveis terapias pessoais. Somos todos importantes. Somos criaturas únicas no Universo que buscamos a felicidade através do aprendizado do amar a nós mesmos, ao próximo e a Deus.

    Contudo, de que forma amar a nós mesmos? Naturalmente a proposta de Jesus é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo ou o egocentrismo. Quando escolhemos aprender, para o aprimoramento intelectual, estamos nos auto amando. Quando compreendemos as nossas imperfeições temporárias, nos esforçando para corrigir os erros, estamos amando a nós mesmos. “O auto amor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si”. [2]

    Quando escolhemos perdoar e extinguir o peso de uma mágoa, estamos amando a nós mesmos. O asseio mental e a estabilização emocional têm procedências brilhantes naquele que consegue praticar e receber o perdão. Todos somos convocados a praticar o perdão no ambiente doméstico, profissional, religioso; enfim na convivência social.

    Afinal de contas, perdoar significa absolver, indultar, desculpar, anistiar. O prefixo “per” quer dizer “total” e “doar” significa dar inteiramente, ou seja, um empenho de autodoação plena. Portanto, perdoar-nos resulta no pleno amor a nós mesmos.

    Para nos libertarmos, tanto da culpa quanto da desculpa, necessitamos cultivar o auto amor, a autoconsciência, o arrependimento e o aprendizado para as reparações imprescindíveis. É verdade! O auto perdão não é uma simples revogação da consciência de culpa, mas um procedimento de auto-exame consciencioso de nós mesmos, o que requer arrependimento e reparação.

    Somente cultivando o auto amor é que crescemos espiritualmente. Por isso não podemos ficar sob o guante do ingênuo pesar. Quem ama a si mesmo (como recomendou Jesus) preenche a vida de alegria e paz. Todavia, uma das causas de auto-agressão vem da procura frenética de perfeição irrestrita, como se todos devêssemos ser deuses ou deusas de um momento para o outro.

    Quando esperamos perfeição em tudo e confrontamos o lado "primário" de nossa natureza humana, nos sentiremos fatalmente diminuídos e envolvidos por uma aura de fracasso. A baixa autoestima nasce quando não nos aceitamos como somos. Somente a auto aceitação nos leva a sentir plena segurança ante os fatos e ocorrências do cotidiano.

    Nossas reações perante a vida não acontecem em função tão somente dos episódios exteriores, mas sobretudo de como percebemos e julgamos interiormente esses mesmos acontecimentos. A forma de refletirmos e nos comportarmos em face das nossas reações perante os outros, avaliando-os como bons ou maus, é talhada por um mecanismo de autocensura que se encontra alojado em nossos níveis de consciência mais profundos. Este juiz íntimo foi cultivado sobre bases de valores e de princípios que empilhamos através dos tempos recuados sob reencarnações inumeráveis.

    Todos nos equivocamos tendo o dever de perdoar-nos, porém não permaneçamos no erro. É imprescindível, buscarmos não reincidir no mesmo endividamento moral, libertando-nos das algemas constringentes do remorso, até mesmo porque “o remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa que se expressa por enfermidade da consciência”.[3] Podemos experimentar culpa e condenação, perdão e liberdade, de acordo com os nossos valores, crenças, princípios e normas vigentes. Apreendemos assim que para alcançar o auto perdão é imperioso que reexaminemos nossas convicções profundas sobre a natureza do nosso próprio EU.

    Todos cometemos desacertos de maior ou menor agravamento, alguns dos quais, como vimos, são arquivados nos porões do inconsciente. Cedo ou tarde ressurgem devastadores, causando mal-estar, ansiedade, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.

    A terapia moral pelo auto perdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por nós mesmos. Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o otimismo, a alegria de viver, amando a Deus e ao próximo, perdoando-nos e amando-nos verdadeiramente.

    Referências bibliográficas:

    [1] Mt. 22:34
    [2] FRANCO, Divaldo Pereira. Amor, imbatível amor, ditado pelo espírito de Joanna de Ângelis, Bahia: ed. Leal, 2005, cap. 13
    [3] XAVIER, Francisco Cândido. Pronto Socorro, ditado pelo espirito Emmanuel SP: Ed CEU 1980