domingo, 15 de julho de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
MOVIMENTO ESPÍRITA NO “MUNDO DO FAZ DE CONTA”
Aí notamos exercício doutrinário mesclado de ideologias cognominadas “neo-esotéricas” (ufologia, astrologia, tarô, cristais, orientalização, cromoterapias, apometrias). É óbvio que toda essa carga morta esmaga o movimento doutrinário e abre as suas portas para a infestação de exorcismos inócuos (desobsessões que mais parecem os inocentes exorcismos, “choques anímicos” por correntes magnéticas(!), festival caricato de mensagens psicografadas dos parentes desencarnados.
Nos imagos “DO FAZ DE CONTA”, pasmem! Estão imitando os trabalhos que Chico realizava com sobriedade. Substituem a simplicidade e a espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por promessas de supostas consolações advindas do “além”. Para denunciar tal fantasia uma pessoa informou ter pedido a comunicação de um inventado avô “falecido”, e “conseguiu” a mensagem do tal avô. Há instituições que criaram trabalhos de passes para todos os gostos e interesses, ou seja, passe normal (para os inconvenientes “papa-passes”), passe forte (para obsedados), passe superforte (para doentes, obsedados e “papa-passes”).
No “FAZ DE CONTA” há o extravagante Espiritismo da “prosperidade”, do “cure o seu corpo” e da “paz mental e emocional”. Inventaram cursos, palestras e workshops a R$.1.600,00 per capta sobre os temas da auto-ajuda realizados em hotéis de luxo. Nesse mistifório tramaram o movimento da “nova era” (neoespiritismo!?) , das sugestões das surradas querelas sobre a coqueluche da moda “planeta em transição”, da paracientífica psicologização, pedagogização, espiritização(!?), filosofização, academização, idolatria de oradores, endeusamento de médiuns, palestrantes cover que querem ser famosos a qualquer cotação, para esse escopo fazem shows teatrais de oratória com direito a burlescas e afetadíssimas declamações poéticas e posteriores incorporações de ilustres velhinhos falecidos, cujas vozes arrastadas mais parecem personagens criadas pelo Chico, não o Xavier de Uberaba, mas o Anísio da “Escolinha do Professor Raimundo”.
Nessa tendência mística popular, carregada de superstições seculares, no “FAZ DE CONTA” observamos a proliferação de pregadores santificados, tribunos de voz empostada e gesticulação ensaiada. Lá os órgãos “unificadores” pretendem a “união”, aplaudindo oradores empavonados, personalistas, visivelmente obsedados que encontram espaços nas diretorias das federativas para manipularem e ditarem a espetacularização e a comercialização de congressos ditos “espíritas”. Além disso, os congressos são marcados pela erudição acanhada, oratória plagiada e retórica de auto-ajuda e infelizmente ausência de trabalhos mais urgentes e debates coerentes, pois renunciam aos critérios da lógica e da razão propostos por Kardec.
No país “DO FAZ DE CONTA” os idólatras desprevenidos aplaudem a presença de palestrantes estrelinhas que comercializam caridosamente os DVDs da palestra filmada, cantada, recitada etc, perturbando a credibilidade da Doutrina. Lembremos que aqui ou no “FAZ DE CONTA” comercializar uma palestra, além de deplorável, é uma estultícia moral.
No “país DO FAZ DE CONTA” percebemos impulsos incontidos do culto à personalidade de tal ou qual médium. São os notáveis adoradores das gloríolas mundanas, médiuns que se ufanam com os galanteios do “reconhecimento social”, de preferência com vassalagens e construções de museus destinados a preservar sua memória enquanto estão “encarnados”.
Que escárnio! Tais idolatrados no país do “FAZ DE CONTA” têm consciência da fatalidade biológica (morte física). Sabem que ao receberem a visitinha inevitável da “dama desencarnação” haverão de prestar contas na contabilidade do Criador, porém têm ciência que o seu cofre estará vazio de humildade, motivo pelo qual assumirão colossal dívida por terem encenados na ribalta das ilusões, das luzes dos holofotes da fama estéril, enquanto estão fazendo turismo no corpo físico.
No mundo “DO FAZ DE CONTA” há pessoas que idolatram tais espíritas famosos, pois são seus amigos pessoais. Contudo, escudados nessa “amizade” não têm a dignidade de adverti-los quando cometem erros. Tais amigos, que são mais “amigos da onça” do que do idolatrado, sabem dos seus lapsos doutrinários, mas silenciam, cruzam os braços, colocam vendas nos ouvidos, na boca e nos olhos para não se comprometerem e muitas vezes se agastam com os que têm a altivez de admoestar direta ou indiretamente tais médiuns purpurinados.
Graças a Deus esse elenco de disparates só acontece no universo do “FAZ DE CONTAS”. Todos os fatos do FAZ DE CONTA” nos mostram que a Doutrina Espírita aqui na vida real também ainda não chegou a ser conhecida pelos seus próprios adeptos. Herculano Pires asseverou que “expor os temas fundamentais da Doutrina não é falar bonito, com tropos [tons] pretensamente literários, que só servem para estufar vaidade, à maneira da oratória bacharelesca do século passado. É incrível a leviandade com que oradores e articulistas espíritas tratam de certos temas, com uma falsa suficiência de arrepiar, lançando confusões ridículas no meio doutrinário. Temos de compreender que isso não pode continuar. Chega de arengas melífluas nos Centros, de oratória descabelada, de auditórios parvos, batendo palmas e com palavreado pomposo. Nada disso é Espiritismo. Os conferencistas espíritas precisam ensinar Espiritismo - que ninguém conhece - mas para isso precisam primeiro aprendê-lo.”(1)
Se abraçamos o Espiritismo por ideal cristão, não podemos negar-lhe fidelidade. É inegável que na vida real existem inúmeras práticas não compatíveis com o projeto doutrinário que urge sejam combatidas à exaustão, nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer pecha de intolerância, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas. “Jesus ensinou a orar e vigiar; recomendou o amor e a bondade, pregou a humildade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias, santidade dissimulada, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno.”(2)
A verdadeira prática Espírita é a expressão da moral cristã, consubstanciada no Evangelho do Mestre Jesus. No Espiritismo, o Cristo desponta como excelso e generoso condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol, na sua grandeza mágica.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
Referência bibliográfica:
(1) Pires, José Herculano. O Centro Espírita, São Paulo, Editora Pandeia, 1970
(2) idem
terça-feira, 16 de agosto de 2011
UMA VIAGEM INESQUECÍVEL
UMA VIAGEM INESQUECÍVEL
Fomos ao Triângulo Mineiro a fim de conhecer o museu Chico Xavier em Uberaba, proferir palestra em Sacramento e visitar José Tadeu Silva, da cidade de Araxá. Em seguida partimos para o interior de São Paulo, a fim de realizar palestras em Ituverava e Batatais. Em Araxá, conversamos com o iluminado José Tadeu Silva, um espírita simples, de família humilde, que desde criança pratica a caridade, visitando os doentes acamados nas periferias, banhando-os e fazendo curativos, dedicando-se aos necessitados em tempo integral.
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| Eleusa Hessen, Tadeu e Erika Hessen |
Tadeu fundou a Casa do Caminho (1) e um hospital que presta relevantes serviços de saúde, atendendo a demanda populacional de Araxá e região.(2) Construiu a Casa de Orações com capacidade para acomodar em média 1000 pessoas. Trata-se de um salão de palestras públicas, com piso de terra batida (isso mesmo, TERRA BATIDA!) que permite uma atmosfera de igualdade entre os ricos, pobres, cultos, analfabetos etc.
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| Eleusa Hessen, Tadeu e Jorge Hessen |
O Missionário de Araxá, com sabedoria e serenidade, transmite sempre uma mensagem de esperança e alento aos corações que o procuram. A todos abraça PESSOALMENTE (aliás, um abraço que é um verdadeiro passe magnético).(3) Após a palestra, a instituição conta com uma farmácia dirigida por voluntários para distribuição gratuita de remédios fitoterápicos. E, para o auxílio no tratamento das doenças espirituais, conta com uma biblioteca pública com mais de 5000 livros.
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| Jorge Hessen e Heigorina Cunha |
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| "Quarto de Euripedes" (Rinaldo e Jorge Hessen) |
Fomos à Chácara Triângulo, onde estão construídas a Casa Assistencial Meimei, Centro Espírita Casa do Caminho, QUARTO DE EURÍPEDES (onde Eurípedes Barsanulfo cuidava dos enfermos).
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| Heigorina Cunha e Jorge Hessen |
Conversamos com Heigorina Cunha, sobrinha do apóstolo de Sacramento, conhecida como “Sinhazinha” – uma mulher extremamente simples, bondosa, inteligente e humilde. Ela é autora dos desenhos que descrevem como são algumas cidades espirituais, inclusive a cidade espiritual “Nosso Lar”.
Seus desenhos foram feitos segundo suas observações realizadas durante suas saídas do corpo (desdobramento), em março de 1979, conduzidas e orientadas pelo espírito Lucius.(4)
Seus desenhos foram esclarecidos e legitimados por Chico Xavier, confirmando que realmente se tratava da cidade “Nosso Lar”. No ano 2010, os desenhos serviram de inspiração para a criação da cidade retratada no filme “Nosso Lar”.
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| Palestra em Batatais (Eleusa, Beth, Jorge e Ademar) |
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| Palestra em Sacramento - Rinaldo, Marcos Aurelio, Jorge, André Luiz |
Testemunhamos uma prática doutrinária, aliás, bastante desigual do movimento espírita de algumas grandes cidades, onde são planificados eventos “espíritas” (congressos, seminários, encontros fraternos, simpósios) não gratuitos, não raro transformados em espetáculos de oratórias, em que se destacam mercadores ambulantes (mascates), que vendem suas palestras a preços “modestos” e as suas publicações literárias para supostas obras sociais, ou ainda, palestras musicais cujos artistas vendem CD’s e DVD’s ao final da apresentação.
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| Espiritismo não gratuito |
Tudo isso nos faz refletir sobre os milhares de espíritas sem muita cultura, humildes, desempregados e pobres; quando concebemos que o edifício doutrinário se mantém firme em face do amor desses lídimos e pouco conhecidos baluartes do Evangelho, impossível não nos entristecermos quando se comercializa Espiritismo e se trombeteia os excessos de consagração das elites culturais.
A compleição elitista nas atividades doutrinárias tem exposto a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais e para incultos. Todavia, não se pode esquecer que devemos estudar a Doutrina junto com as pessoas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos com simplicidade, sem cobrar nada.
Sinceramente, não conseguimos compreender a Doutrina dos Espíritos sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe. Não se pode distanciar do povo. É preciso fugir da elitização nas hostes espíritas.
Devemos esquadrinhar a prática espírita pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades e prioridades. É necessário que os líderes espíritas compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo; por isso mesmo é importante estudar a Doutrina Espírita junto com as massas. Ou será que nossas casas espíritas só devem explicar o Evangelho aos intelectuais, endinheirados e famosos?
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
http://jorgehessen.net
Referências:
(1) A Casa do Caminho era o nome do lugar onde os apóstolos de Jesus, liderados por Pedro, cuidavam de diversos necessitados. O livro Paulo e Estevão, de Emmanuel/Chico Xavier, faz várias referências a esta Casa. Foi o primeiro e melhor modelo para conduzirmos nossas Instituições Espíritas hoje.
(2) Visite o portal do Hospital http://www.casacaminho.com.br/index.htm
(3) As palestras na Casa de Oração são frequentadas por caravanas de todo Brasil
(4) Os desenhos poderão ser encontrados nos livros “Cidade no Além” e “Imagens do Além”, todos de autoria de Heigorina Cunha.
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